07/11/2018
Festa na piscina

Corriam os anos 70 . No Bairro da Fábrica de Papel , existiu uma lagoa , que era bem cuidada , limpa , florida e era utilizada pelos funcionários graduados da Fábrica de Papel . Toda cercada de tela metálica , com portão de acesso e salão , era apelidada de Piscina .

Nos fins de semana , quase sempre tinha gente por lá , tomando sol , banhando-se em suas frias águas correntes e batendo papo com amigos e amigas . Era considerado “ glamour “ freqüentar o local .

Mas , no bairro da Fábrica , existia a canalhada também . Jovens entre 18 a 25 anos , virados da peste , aprontadores e alegres arruaceiros de carteirinha .

Um dia , o Rato Orelhudo teve uma idéia . Vamos nadar á noite na Piscina .

- Loucura , disseram . – Vai dar merda , disse outro . – Tem guarda 24 hs lá , disse o terceiro mas , Rato Orelhudo era especialista em artes marciais e cênicas e respondeu o velho chavão .......Xá comigo !!!

Montamos a quadrilha ( se faltar alguém , me avisem que reviso a lista ) Eramos : Cabeção , Lalá Portugues , Frances , Eu , Grilo , Rato , Purguita , San José , Zé Bigú , Bacatêro , Sulfato , Pelé , Zé Grande , Pedrinho Murcho , Tetéu , e mais alguns que não me lembro mais .

Compramos dois engradados de cerveja gelada na Pensão de Achiles Thomáz , uns amendoins e uma garrafa de cachaça que seria usada para fins corruptos . Rato Orelhudo montou a estratégia e subimos o morro da igreja , disfarçando e quietos carregando os engradados . Achiles exigiu a devolução dos vasilhames e tomávamos cuidado com as cervejas .

Rapidamente , chegamos ao topo do morro e em vez de ir pela rua , Rato nos guiou pelo meio do mato , em silencio , com uma lanterna miserável de ruim nas mãos e uns vinte caras querendo ação . Chegamos na piscina ás 22:00 hs , pelo meio do mato , pelo atalho que só Rato conhecia . Aguardamos a troca do Vigia e quando o Vigia que saiu sumiu no horizonte , Rato iniciou seu Avant Premiére .

Rato então , saiu do mato , conversou com o Vigia então plantonista , deu-lhe a garrafa de cachaça e fez-nos sinal de OK . O lazarento já sabia quem estaria de guarda naquela noite e já tinha aliciado o conhecido Vigia do turno da noite . Entramos no recinto .

Sem muito barulho prá não acordar a vizinhança , fizemos a festa . Mergulhava-se , bebíamos a cerveja colocada dentro da água gelada prá não esquentar muito e dávamos muita risada .

A luz era escassa ( lâmpadas de 40 watts ) nos postes mas deu prá fazer uma festa boa . As garrafas vazias eram colocadas no chão de terra , perto da água para serem contabilizadas na hora de irmos embora . Cada um contava um caso e a risada corria solta regada á cerveja gelada . De vez em quando um mergulho e ..cerveja prá baixo .

Deu 1/2 noite e resolvemos ir embora pois era quarta feira e tínhamos que trabalhar no dia seguinte .

Foi quando deu-se a merda ........O Rato Voador e Orelhudo , lazarento , chutou mais de 10 garrafas prá dentro dágua e muitas afundaram . Fez isso e fugiu o corno . PQP ...tivemos que mergulhar , de novo ( já estavam todos secos , prontos prá partir de volta ) e recuperar as garrafas vazias , NO ESCURO DO FUNDO DA PISCINA . Ficamos até quase duas horas da manhã, prá recuperar as garrafas .

Novamente nos enxugamos e iniciamos o caminho da volta . Fomos dar até breve ao Vigia e ele dormia tal qual uma pedra .

Entre mortos e feridos , salvaram-se todos .

História real vivida por um bando de rapazes , duros de grana mas ricos em aventuras .

Nossa saudade eterna prá aqueles que já partiram .

Fred Assoni


 



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