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20/05/2010
Insulina sem sustos

Dra. Jane Dullius

Insulina - Sem Sustos
14/8/2009 - Portal Diabetes

Jane Dullius


Todos nós usamos insulina, todos. Naqueles diabéticos cujo pâncreas não consiga produzir o suficiente para manter a glicemia normal, é indicada a utilização de doses exógenas de insulina. De 20 a 30% dos diabéticos deveriam estar em insulinoterapia.
Mas para que ela funcione como se espera, muitos cuidados devem ser tomados, o que inclui sua aquisição, guarda e manuseio.
A insulina que está em uso, se for utilizada toda em menos de 30 dias não precisa, não precisa ficar na geladeira, mas deve ficar em local fresco e abrigada de luz forte.
A insulina de estoque ou aquela que é pouco utilizada, deve ficar na última prateleira da geladeira, bem embaixo, em uma caixinha aberta (para pegar o frio da geladeira) ou plástico que não evite que ela resfrie. Evitar a porta da geladeira onde varia muito a temperatura e balança toda vez que for aberta. Não guardar em caixa de isopor fechada dentro da geladeira nem colocar próximo do congelador.
Caso não haja geladeira, colocá-la num pé de pote, ou junto ao filtro de água fresca, no local mais frio da casa, às vezes encostada no piso, numa caixa ou plástico próxima à terra fresca e úmida..
Nunca congela-las nem coloca-las diretamente em contato com o gelo - quando carrega-las com gelo, isolar em plásticos separados.
Elas não devem ficar molhadas, nem pegar sol, calor, luz forte, nem devem ficar sendo chacoalhadas, mexidas - pois são sensíveis e podem perder ou diminuir sua capacidade de ação.
Canetas descartáveis de insulina podem ir para a geladeira. As canetas não descartáveis, com componentes metálicos em sua constituição, não devem ficar em geladeira.
Seringas podem ficar, também, na geladeira, especialmente aquela que está sendo reutilizada.
Nunca "desinfetar" a seringa e a agulha com álcool - se ela "sujar" ou contaminar de alguma forma, descartar. A reutilização de seringas e agulhas é tema sem consenso. Em geral, se indica a utilização uma única vez, mas estudos demonstram que, quando reutilizadas com cuidado e sempre pela mesma pessoa, poderiam ser usadas novamente, dentro de um período curto de no máximo 48h, por mais umas bem poucas vezes (2 a 5 vezes).
Cuidar muito muito onde são adquiridas, compradas ou recebidas, se o local e as pessoas que as manuseiam sabem faze-lo, armazena-las, cuida-las. Insulina é um hormônio razoavelmente frágil. Se estiver com alguma aparência estranha, coloração diferente, grânulos, turvação irregular ou se o rótulo, a embalagem, os dizeres tiverem algo estranho ou diferente - mesmo que seja a insulina ou análogo disponibilizada no posto -, contate um representante da Anvisa ou outro órgão e desconfie - não use, sua vida pode ser colocada em risco.
Diferentes marcas de insulina podem apresentar efeitos distintos quando usadas - cuidado.
Existem no mercado brasileiro 10 diferentes tipos de insulinas e análogos de insulina comercializados, de diferentes marcas. Tenha atenção sobre qual você está usando e qual é melhor para você. Peça informações sobre as demais. Não é porque é mais nova, recém inventada, que é necessariamente melhor - cuidado. E não troque de insulinas sem acompanhamento de profissional habilitado.
Observe com cuidado a correta técnica de preparo e aplicação, o rodízio e os locais de injeção e acompanhe com atenção as variações da glicemia, as hipos e as hiperglicemias, aprendendo a corrigi-las de imediato e evita-las adequadamente.
E lembre-se: insulina é um hormônio natural, todas as pessoas são insulinodependentes.
Apenas que diabéticos cujos seus próprios pâncreas não produzam suficiente quantidade para atender as suas necessidades, esses necessitam aplicar insulina em seu corpo, ou seja, exógena, para sobreviver.
Ainda bem existe a insulina e eu posso usa-la. Não fosse isso, eu não estaria aqui conversando com você.

Doce abraço de uma insulinizada exogenamente há 38 anos.







Querem conversar comigo? Estou à disposição.


Dra. Jane Dullius
Dra. Jane Dullius
Universidade de Brasília, Programa de Educação em Diabetes Doce Desafio
www.proafidi.com.br – [email protected]

Nota Portal Diabetes: Agradecemos à Dra. Jane Dullius pela gentil contribuição aos nossos leitores com seu valioso artigo. Contaremos quinzenalmente com sua magestosa presença em nosso site.

Agora saiba um pouco mais sobre a Dra. Jane:
Docente na Universidade de Brasília e coordenadora de Programa de educação em Diabetes Doce Desafio na UnB.
Doutora em Ciências da Saúde, Mestre em Educação, Professora de Educação Física, Técnica em Alimentos, orientadora na linha de pesquisa em pós-graduação na UnB "educação em diabetes", líder em grupo de pesquisa no CNPq sobre diabetes, membro da SBD e da RELAD, diabética há 37 anos e autora de "Diabetes Mellitus: Saúde, Educação, Atividades Físicas".



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