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16/02/2021
Quando as vitaminas se tornam tóxicas

A pretexto de prevenir doenças ou aumentar a imunidade, muitos têm recorrido ao consumo de suplementos vitamínicos sem atentar para os riscos à saúde. Preocupada com a questão, nesta edição do Pílula Farmacêutica, a acadêmica Giovanna Bingre, orientada pela professora Regina Andrade, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP, fala sobre o consumo excessivo de vitaminas e a hipervitaminose.

O que é hipervitaminose?

Giovanna informa que hipervitaminose é uma intoxicação decorrente da ingestão excessiva de vitaminas. “As vitaminas são fundamentais para o bom funcionamento do nosso organismo e para a manutenção da saúde, mas, quando ingeridas em excesso, podem causar diversos danos também, e muitas vezes são graves”, alerta.

Dificilmente a hipervitaminose ocorre pelo consumo de alimentos ricos em vitaminas. Segundo a acadêmica, a maioria dos casos vem do consumo indiscriminado de suplementos vitamínicos, que só devem ser usados com indicação médica, “para que sejam ingeridos na quantidade certa e também no tempo certo”. 

Sintomas da hipervitaminose

As intoxicações mais frequentes e mais graves estão relacionadas a níveis altos de vitaminas A e D. A acadêmica conta que a  hipervitaminose A pode apresentar sintomas agudos, crônicos e, também, os teratogênicos. Entre os agudos, destaca a visão embaçada, a perda de apetite, a pigmentação anormal da pele, a perda de cabelo e pelos, a pele seca e a dor nos ossos. Pode causar ainda hepatite com necrose celular e icterícia, além de estar associada com a carotenemia (aumento dos níveis de betacaroteno no sangue). 

Quando a hipervitaminose A se torna crônica, diz Giovanna, a evolução pode chegar a doença óssea e aumento das fraturas. Já os efeitos teratogênicos ocorrem em gestantes no primeiro trimestre da gestação, podendo levar a abortos espontâneos e malformações fetais. 

A hipervitaminose D pode trazer diversos danos para a saúde, com destaque para a hipercalcemia ou o excesso de cálcio no organismo. A explicação, segundo Giovanna, é o fato de a vitamina D apresentar papel importante na regulação do cálcio; desta forma, seu excesso “acaba gerando perda da função renal, além de poder ainda levar à perda óssea”. A hipervitaminose D pode acarretar vários outros problemas, que incluem sintomas neuropsiquiátricos, gastrintestinais, cardiovasculares e diversas complicações renais. 

Giovanna alerta ainda para o uso indiscriminado de outras vitaminas, com sintomas como reações alérgicas no caso da vitamina B12 ou queda na frequência respiratória e convulsões no caso da vitamina B1, e até mesmo neuropatias no excesso de vitamina B6, “fazendo com que o paciente tenha os nervos danificados, causando dor e dormência nos pés e nas pernas”. 

A acadêmica alerta que a suplementação vitamínica nem sempre é necessária e pode até ser prejudicial quando consumida em excesso. Adianta que “uma alimentação balanceada é capaz de fornecer todos os nutrientes que o organismo precisa para funcionar bem”.


Jornal da USP

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