23/11/05
Não tem mais terror

Foi numa daquelas noites de poucos pensamentos, quando o tédio provoca falsas ilusões de estarmos isolados do mundo.
A constante chuva fina, inaudível no telhado, traía sua presença pelo imperceptível ruído, quando o vento leve dispersava suas gotas sobre os vasos de antúrios, abaixo da janela esquecida aberta.
Pela vidraça embaçada onde as gotas deslizavam, do exterior, um desconhecido tranqüilamente observou o interior do ambiente e sem dificuldades penetrou. A luz acesa, o silêncio e livro entreaberto caído no chão, fizeram-no entender que a jovem na cama, adormecera.
O desconhecido acercou-se até de onde ouvia a respiração suave da jovem e permaneceu alguns instantes admirando aquele rosto bonito e sensual, com longos cabelos cobrindo parcialmente os seios que pareciam querer saltar fora do sutiã de tecido claro, obscurecido pela cor predominante dos mamilos. Um mar claro é o que lembrava a pele rosada que circundava o umbigo.
Descendo pelo ventre, a penugem quando tornava-se densa, penetrava sob a calcinha translúcida, escurecendo toda aquela região pubiana que se alastrava até sobressair com seus fiapos retorcidos pelo encontro com as pernas entreabertas. De tecido colante, a calcinha se amoldava nas protuberâncias do local, realçando o sulco vertical, motivando maior atenção para o desconhecido, que esboçou um sorriso malicioso.
Pelo sorriso e usando a imaginação, não terá ele pensado naquela cena excitante, como um sofrimento torturante para os já impotentes, incapazes de desfrutar daquele prazer que movimenta a humanidade?
Entrementes, tendo percebido a presença estranha, o instinto de autopreservação da jovem ocasionou-lhe o seu despertar.
Tomada de pavor, seu grito foi abafado por uma das mãos do individuo, que com a outra mão afastou-lhe os cabelos do pescoço e mordeu-o demoradamente enquanto a jovem debatia-se inutilmente.
Sentido-a dominada e enfraquecida, o estranho se afastou. O gosto diferente que seu paladar acusou, interferiu com seu triunfo.
Foi assim, o inicio do fim da estirpe dos Dráculas...
... o vampiro pegou Aids.

Altino Olímpio

Leia outras matérias desta seção
 » Nada como poder falar e aparecer
 » Minhas andanças por ai
 » Agora temos contatos, mas não com tatos
 » Quem sabe, sabe e conhece bem
 » A enganação parece eterna
 » A grande fraternidade branca
 » Os dias que sempre nos esperam
 » Frases ou lembranças que me chegam
 » O paraíso perdido
 » Penso, logo existo. jargão antigo
 » Os ladrões do tempo
 » A sacanagem não muda
 » Para os que não pensam pensarem
 » Não é tudo que o tempo modifica
 » O braço direito do homem
 » O inexplicável sentido da vida
 » Tempos e contratempos
 » Raciocinar cansa muito
 » Se formos o que pensamos...
 » As lendas sobre o homem do passado

Voltar