13/12/05
Desabafo Não Deu Certo

Trirm... trirm... trirm...

--Alô! Pronto!

--Ocultista, é você?

--Sim Hierofante! Tudo bem? Pode falar.

--Teu telefone sempre está ocupado e... ...

--É a Telefônica faturando, mas, resolveu aquele teu problema?

--Ainda não, mas, muito tenho refletido sobre as mulheres.

--Vê lá se isso é motivo para reflexão!

--É sim! Cheguei à conclusão que elas são metade diabo e metade burro.

--Ah, ah, ah, ah, ah, ah, ... .

--Você ri... ah,ah, ah, mas... ah,ah, ah, mas não é isso mesmo? Nunca sabemos qual a metade delas que está atuando.

--Como você gosta de generalizar. Tua comparação –por exemplo—não se restringe à nossa amiga do Bairro dos Jardins. O marido dela não pensa como você, ele não a considera metade diabo... quero dizer, mulher diaburro como você diz. Ela é muito fina.

--Diaburro! Ah, ah, ah, gostei da junção. Ah, ah, ah.

--Te digo mais, com ela, nada consegues.

--Nunca me passou pela cabeça, pois, o casal é muito amigo.

--Que frase bonita, mas, não foi a tua interferência com outro casal amigo, o motivo das tuas reflexões?

--Ah eu sabia! Tua censura estava demorando! Foi ela que me seduziu, já te falei!

--Falou, eu sei! Porém, é de admirar que, um cinquentão como você, detentor dos mais altos ideais, membro antigo de uma fraternidade mística e com uma mente privilegiada, esteja sofrendo por uma terráquea qualquer.

--Pare! Gozação comigo não! E ela não é uma qualquer. É bonita, culta, psicóloga e esposa de um psiquiatra, muito viajada e... ...

--Tá bom! Eu corrijo. É uma qualquer bem sucedida. Intimamente você envolveu-se com ela e nem ligou para o marido, seu amigo como você diz.

--É verdade, entretanto, tivemos belos momentos.

--Ah os momentos! Depois deles dá-se uma chacoalhada, e cadê os momentos? Respondo: eles sumiram.

--Mas como você é frio!

--Com esse tipo de mulher sim! Sinto muito, mas, durante anos fostes um instrumento de prazer e como, apaixonou-se, fostes um instrumento gratuito e agora ficas aí como uma minhoca partida.

--O que queres dizer com isso?

--Você nunca foi criança? Quando se corta uma minhoca pelo meio, não parece que suas duas partes ficam debatendo-se tentando reatarem-se?

--De fato... ... só, que ela... ...

--Te dispensou eu sei e tu não aceitas.

--Sim, mas não é tão simples como você pensa.

--Ô meu! Cai fora! Ela te usou e tu tornou-se impertinente agora que a parte diabólica dela está preocupada com a partilha do patrimônio, visto que, o casal está se separando e segundo depreendi, nem fostes a causa.

--Não! Não! Nosso caso é muito sério, é uma continuação de outras encarnações. Ela deve ter; fortes motivos para não mais me receber. Eu quero e ela deve-me explicações!

--Continuação de outras encarnações? Mas isso é delírio! Se já não bastasse os problemas com esta vida, você também quer estende-los para vidas passadas? Cuidado! Essas divagações são perigosas.

--PARE! Você não está à altura para discutir estes assuntos comigo!

--Mas foi você que misturou problemas passionais com abstrações mentais. Pise no chão! Se liga cara, ela te dispensou!

--CHEGA! Não da mais para conversar contigo! ... Clik.

“Desligou... gozado, sempre eu que pago o pato.”

Este conto, baseado em fatos reais, lembra-me de um amigo meu que morreu.


Altino Olímpio

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