20/12/05
Conversa Fiada

As pessoas que falam tudo de si mesmas, ainda mais quando são óbvias e repetitivas, elas, perdem o interesse para outras pessoas.
Quando conhecemos todos os assuntos de alguém, é cansativo ouví-lo.
Aquela palavra “consideração” é culpada por termos que escutar o que não queremos.
Tem gente que pensa que amizade significa ter que ouvir o relatório sobre tudo o que ocorre em sua vida. Sempre inoportuna, julga que suas insignificâncias são significância para quem, “por educação”, tortura-se em ouvir. Quando pessoalmente ouve-se o “relatório”, o viver em sociedade impede nossa fisionomia contrair-se demonstrando nossa repugnância pela idiossincrasia alheia. Nossos olhos é que imploram: chega, não quero ouvir, não aguento mais, isso não me interessa, não me encha o saco.
Quando por telefone e a gente não estando sendo vigiado, a outra pessoa se visse nossa feição e o murmurar de nossos lábios, saberia o quanto a consideramos agradável.
É quando a hipocrisia adora se manifestar: foi um prazer conversar contigo, telefone sempre. E ao mesmo tempo “não me encha mais o saco” é o que a gente pensa.
Se todos se dessem conta de suas insignificâncias, deixariam outros mais sossegados com suas próprias insignificâncias, já lhes sendo muitas as que possuem. Assim, o mundo poderia tornar-se mais agradável sem tanta futilidade –o alimento desta época.

Altino Olímpio

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