11/01/06
Refletir Cansa

A palavra “povo” significa: conjunto de pessoas que compartilham costumes, hábitos, língua, tradições, etc. Nesta era as pessoas compartilham diferenças e desuniões.

Até membros de uma mesma família são desunidos e não se entendem quanto a seus ideais que são diferentes sendo motivos de discussões domésticas.

Sermos todos irmãos se transformou em utopia, embora, tenha sido sempre. Muitos levados a acreditar nisso, não desconfiam e faltam-lhes discernimento para sentirem os “irmãos” apenas no intelecto, o único lugar deles para poderem existir como tais.

Friedrich Wilhelm Nietzsche nasceu no ano 1844 e faleceu em 1900. Como ele escreveu:      “cristianismo  trata-se de um platonismo para o povo, de uma vulgarização da metafísica, que é preciso desmistificar. O cristianismo é a forma acabada da perversão dos instintos que caracteriza o platonismo, repousando em dogmas e crenças que permitem à consciência fraca e escrava escapar à vida, à dor e a luta, impondo a resignação e a renúncia como virtudes. São os escravos e os vencidos da vida que inventaram o além para compensar a miséria; inventaram falsos valores para se consolar da impossibilidade de participação nos valores dos senhores e dos fortes; forjaram o mito da salvação da alma porque não possuíam o corpo; criaram a ficção do pecado porque não podiam participar das alegrias terrestres e da plena satisfação dos instintos da vida”.  

Estes dizeres de Nietzsche foram para uma época anterior à nossa quando também existia fanatismo religioso maior ou menor deste que convivemos. Sabemos que este tema não é para a reflexão daqueles de viver parcial, pois, relutariam em defender e proteger suas parcialidades, suas convicções herdadas. Se permitissem recepções de imparcialidades poderiam confrontá-las com suas parcialidades para melhor comprová-las se são válidas ou não.

“É um desígnio de Deus que, o homem, só aprende, através do sofrimento”. Esta frase, Nietzsche concordaria com ela conforme seu ponto de vista a seguir:

“Quem sofre gravemente olha, da sua condição, com uma assustadora frieza para as coisas lá de fora; todas aquelas pequenas feitiçarias mentirosas nas quais de hábito bóiam as coisas quando o olho sadio volta-se para elas, desaparecem para ele; ele próprio está diante de si sem plumagem e sem colorido. Suponha-se que ele tenha vivido até agora em algum fantasismo perigoso; esta suprema sobriedade trazida pela dor é o meio de arrancá-lo disso, e talvez o único meio. É possível que isto tenha acontecido ao fundador do cristianismo na cruz; pois as mais amargas de todas as palavras, “Meu Deus por que me abandonaste”, contém, entendidas em toda a sua profundeza, como podem ser entendidas, o testemunho de um global desengano e elucidação sobre a ilusão da vida; ele se torna, no instante do supremo tormento, clarividente sobre si mesmo, assim como o poeta conta do pobre Dom Quixote moribundo”.

 

O homem pegava pesado, mexia e remexia com tabus e não é à-toa que ainda seja um dos filósofos mais lidos no mundo. Antes dele, Arthur Schopenhauer fazia a mesma coisa, mas, eles escreviam para cegos e surdos, como agora, cegos e surdos para coerências se multiplicaram. O povo seria menos distraído, dividido, se conseguisse pensar com recurso próprio. Como não tem, assimila recursos de pensar de outros e por eles pessoas se desentendem, se distanciam, se desprezam e relutam defendendo seus os que são de outros, os recursos de pensar, quando por si mesmos tais recursos já são improváveis e confusos. 

É um absurdo, pessoas discutirem, se criticarem ou levarem outras a participarem de “suas” idéias ou ideais que não são delas. Acataram-nas pela impossibilidade de reflexão que poderia discernir sobre o que seja exeqüível ou inexeqüível.

Começamos com o significado da palavra “povo” e com ela vamos terminar. Como o povo não é dado a reflexões, uma grande parcela dele é adotada pelos especialistas do “religare” pois, eles possuem procurações para isso, apesar de arbitrariamente humanas.

 

Sobre os dizeres de Nietzsche nada comentamos porque preferimos deixar pra cada um suas avaliações, se é que lhe vale a pena algum esforço para isso.


Altino Olímpio

Leia outras matérias desta seção
 » Se não fosse os outros...
 » Fluxo de sensibilidade
 » Será que a vida é uma ilusão?
 » A marca da besta
 » Convém não pensar
 » Adeus dia de Finados
 » Conversa ocasional
 » Por que viemos ao mundo?
 » O passado convive com o presente
 » Os traídos e os traidores
 » Os exagerados do Youtube
 » Os que não sabem são os que mais sabem
 » Brasil, fonte do saber
 » Seres humanos que muito irritam
 » A Torre de Babel brasileira
 » Pegando pesado
 » Pensamentos lúcidos
 » O diálogo entre um Ateu e um Espírita
 » O gostar de alguém sem o alguém saber
 » Má temática da vida

Voltar