13/01/06
Nosso Lado Invisível - Parte 4

Nas três partes anteriores desta quarta, tivemos como tópico a consciência humana para termos subsídios sobre o que aqui vamos expor.
O homem, privilegiado como poderia ser, não o é porque emudeceu sua “voz interior” num sacrifício dela em prol das vozes externas de outros. Por isso, ele se prende a ouvir sobre fatos irrealizáveis, promessas e garantias incoerentes que o tempo sempre comprova suas inexatidões e o homem percebe isso e finge não perceber para repetir o mesmo proceder. Com isso, ingênuo, o homem é cúmplice inconsciente das promulgações públicas, aquelas ainda só supostas que são “realidades” apenas na imaginação ou crença daqueles que as promulgam e que são compartilhadas pelos que ouvem e assim esse costume se perpetua.
Quem tem aquele “lado invisível” desenvolvido para a possibilidade de ser-lhe visível todas as contradições e impossibilidades propaladas, se sincero e de caráter elevado, não se submete como expectador, telespectador e muito menos como divulgador se sabe que não sabe das certezas que talvez tenha impulso de querer divulgar.

Anualmente, em dias especiais ---se é que existem dias diferenciados sem ser aqueles que arbitrariamente os homens diferenciaram como especiais para seus propósitos--- muito do que se ouve assistindo, como rituais para o bem da humanidade, petições por intervenções divinas para solucionarem o problema da precariedade da existência, intervenção nos conflitos para a promoção da paz mundial, invocação para ser restaurada a saúde no mundo e etc. Só cegos e surdos não enxergam e escutam dos noticiários nacionais e internacionais, as conturbações, tribulações e sofrimentos da humanidade no mundo, que estão a comprovar a ineficácia das implorações por poderes interventores do além deste mundo. Isso tudo sempre se repete como também as calamidades que são indiferentes aos seres humanos.

Até a natureza parece estar se vingando dos seres humanos devido suas violências contra ela e ela não atende ordens de poderes divinos para abrandar sua fúria quando se manifesta provocando prejuízos aos homens e hecatombes lastimáveis. Quanto ao que pertence à natureza, ainda só podemos conseguir ter previsões ou premeditações do quando de suas implicações desastrosas e apesar da nossa tecnologia, às vezes ela inesperadamente surpreende.

Quanto ao que pertence aos homens, os mistificadores da razão, sabem e fingem não saberem ou talvez não saibam mesmo e nem querem saber, que, muitos problemas da humanidade seriam resolvidos se fosse facilitado e estimulado o ensino e a preocupação ou obrigação do desenvolver das capacidades da consciência. “Talvez” seja esse o principal e mais nobre objetivo da existência. Como Jung detalhou, muitos deixariam de ser incompletos com o desenvolver dos atributos de suas consciências e só assim contribuiriam com a evolução da humanidade que prosseguiria independente, indiferente das falações que detém o povo na inocência, na ingenuidade e até na puerilidade e quando alguns vierem a perceber suas situações, muito tempo terá decorrido.
Mas, cuidado, tudo está tão liso e estamos escorregando e caindo na utopia.


Altino Olímpio

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