13/01/06
Agonias

Em tema anterior (NOSSOS LIXOS) fizemos uma referência simbólica sobre o ser humano como sendo ele um universo em miniatura que puxa para si o todo participar de sua existência sendo então seu condicionamento.
Como insinuamos, o “puxa para si” seria o mundo de cada um com o qual teria que conviver para sempre sem conseguir apagar completamente o que sua memória registrou ou reteve.
Tem gente perdida na paixão pelo sofrimento e ressentimentos e sempre ao rebuscá-los na memória, faz com que os mesmos se cristalizem, tornando-os desproporcionalmente ampliados, mais atuantes e constantes do que deveriam. Essa gente que por muitos é evitada é chamada de gente negativa, também porque, “atrai coisas ruins”, isso, no dizer de muitos.

Se observássemos com mais atenção uma dessas pessoas, poderíamos perceber como ela é vítima de suas próprias lamentações e parece gostar de sofrer com o mundo de dentro dela povoado por tudo que deu guarida, principalmente , mais sendo ressaltados seus rancores para ficar remoendo-os.
Uma pessoa assim em sua auto-importância indevida sempre está pronta para expor seus dissabores entre outros e atraindo para si as atenções, monopolizando a circunstância se colocando como sendo o foco principal da existência. Não percebe que o pessimismo de seu mundo mal resolvido desagrada a outros ouvir se eles nada podem fazer por ela por suas insolúveis questões subjetivas só suas.

O mundo de cada um é como cada um se programou, se deixou e se deixa programar. Uma das causas cujos efeitos são as já comuns depressões sentidas hoje por muitas pessoas, é o fato delas não mais se encontrarem em seus pensamentos, sendo eles alvos de bombardeios da sistematização imposta nestes dias, tornando nossas individualidades anônimas para si mesmas.
O “Deus nos acuda” para muitos é tentar recuperar suas individualidades rememorando o passado onde se encontravam notados nos fatos ocorridos para fugirem do não se ser notado nos fatos de hoje, neste viver de igualados cada vez com menos destacados ou destacados como mais igualados.
Esse vazio existencial promove em muitos seus descontentamentos por terem permitido serem invadidos por tantas informações e imitações divisoras de suas integridades e ficam na vida culpando os outros que são vítimas iguais.
Pensando nisso, ressurge na lembrança o cantor Taiguara cantando: “Eu desisto, não existe essa manhã que eu perseguia, um lugar que me dê trégua onde sorria, uma gente que não viva só pra si. Só encontro gente amarga mergulhada no passado, procurando repartir seu mundo errado, nesta vida sem amor que aprendi...”

Se antes de engolimos para o nosso mundo “coisas” sem valor e outras com conteúdos torturantes, filtrássemos tudo só deixando passar o que fosse útil como experiência, conviveríamos melhor com o nosso mundo particular sem ser ele, abarrotado por insignificâncias e extensa procissão de decepções convividas do passado que afloram nos presentes subseqüentes dos dias, impedindo se estar no presente como ele é e se apresenta para a nossa “consciência do agora” sendo o que mais importa.


Altino Olímpio

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