22/02/2006
Conversa Desagradável

Numa conversa entre amigos o assunto foi sobre um crime recente que, novamente enlutou uma mesma família. O assunto “puxou” outro de um pedreiro que ouviu um relato interessante e deprimente Contou que quando trabalhou na construção de um prédio em São Paulo, um dos operários que era foragido de outro Estado, revelou-lhe ser um pistoleiro de aluguel. Friamente discorreu sobre uma circunstância que envolve uma “encomenda” para matar alguém. Logo ao inteirar-se de quem deve matar, mesmo por fotografia, de imediato surge um ódio mortal pela vítima sem ao menos conhecê-la pessoalmente. Matá-la então, torna-se a angústia e o tormento por esperar a oportunidade com o plano estabelecido para ela.
“Muito estranho isso” alguém comentou quando outro interrompeu dizendo não ser nada estranho para ele depois de ter lido um livro intitulado “De Carcamano À Comendador, A Imigração Italiana Da Ficção À Realidade”.

Conforme entendeu pela leitura do livro, no passado os nativos daqui estranhavam os comportamentos dos imigrantes que se instalavam em grandes residências. Seus filhos ao se casarem e terem seus filhos, continuavam na mesma residência morando com os pais, até com os avós e às vezes com tios também. A família numerosa sempre muito unida repartia entre seus membros suas alegrias e tristezas. Choravam muito quando um dos membros da família morria e isso causava estranheza nalguns dos nascidos nesta terra daqueles idos tempos. Com tradições diferentes, alguns nativos pareciam não ter elo familiar. Por algum tempo viviam com uma mulher, geravam filhos e os abandonavam como se fosse um proceder natural. Partiam para outras cidades ou outros Estados e repetiam esse proceder desvinculado de instinto familiar. Por isso, o costume imigrante de sempre se manter em família sem nunca abandoná-la, não penetrava na sensibilidade daqueles nativos mais ou menos nômades.

Eles espalharam seus genes e não é novidade quando alguns de seus portadores se transformam em algozes ao tirar a vida de quem eles nem mesmo conhecem. Sem a tradição do amor e do carinho entre as famílias, a triste fatalidade que recai sobre uma delas não é motivo de lástima para quem executa um de seus filhos. Lástima é um sentimento incompatível e ausente no gene que direciona sua tendência para uma atrocidade que seu possuidor pratica. Depois da leitura do livro e pelas reflexões que ele provoca, nada mais de espanto existe nesses crimes. A dor irreversível sentida pelas famílias envolvidas com suas perdas irreparáveis é uma dor que pela falta de sensibilidade emocional para senti-la, nunca terá o mesmo grau de profundidade na pessoa que cometeu o crime, se ela de maneira igual perder um filho. Aquele integrante da conversa baseou-se no livro que leu para sua análise dessas aberrações humanas contadas aqui e nós nos aproveitamos de sua análise para elaborá-la nesta crônica. Só nos resta agradecê-lo, muito obrigado.


Altino Olímpio

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