04/04/2006
Devaneios - Parte 3

---Quer saber sobre tuas angústias? São iguais daqueles que estão na contra-mão do que é comum na existência. Nada mais parece ter-lhes significado. Nem mais se deixam indignar pela torpeza dos semelhantes tornados idolatrados pelas insignificâncias, tão tidas agora como razão de suas vidas.
---É verdade, sempre noto isso nas pessoas “bem atualizadas”.
---Então, o se apartar de pessoas para um viver solitário, pode criar angústia. A mesma que você sente ao reagir para não retornar à vida anterior. A vida participativa “agradável” das insignificâncias proliferadas. Essa vida não te serve mais, mas, ao abandoná-la sente-se como estando num deserto. Nessa “encruzilhada” quando rumos diferentes se apresentam, a solidão invade quem busca caminhos alternativos, diferentes e desconhecidos da massa.
Entretanto, a solidão sendo opcional, desejada e agradável, só ela possibilita o silêncio, paz e controle da mente para perceber o que antes não percebia.
---Interessante, parece que você me conhece a fundo. Isso, dito por você, soa como uma gravação da minha vida. É como me sinto atualmente.
---Eu sei. Teu atual estado existencial só atrai teus iguais e eles são raros de se encontrar, mas, os pensamentos que agora te “visitam” são mais importantes. Às vezes eles antecedem alguns fatos de tua vida te surpreendendo, não é mesmo?
---É sim! Eu sempre penso que é coincidência. Algumas vezes pensei num assunto e tamanha foi minha surpresa ao encontrá-lo inesperadamente num livro que alguém me deu ou “sem querer” encontrei-o numa livraria.
---O que você precisa mesmo ler, o teu subconsciente encontra pra você. Isto, eu sei, já te falaram. Contudo, vamos continuar com a tua primeira “viagem”.
---É mesmo, já havia me esquecido. Distraí-me com suas explicações e... ...

Acordei! Não de um sonho e sim de um devaneio. A imaginação captando registros da memória, ela, cria o que quer. Se tivesse mesmo sido um sonho e de outra pessoa, sendo supersticiosa, ela ficaria com medo e se perguntaria se o seu sonho não tinha sido uma experiência real vivida pelo seu “corpo psíquico” fora do corpo físico, enquanto dormia. Se já tivesse lido a respeito de projeção astral, pensaria mesmo ter-se projetado, saído sem querer e se separado do corpo material enquanto ele estivesse adormecido na cama e com o corpo psíquico ter participado daquelas cenas do sonho.Tudo ilusão! Nunca o corpo psíquico abandona o corpo físico, a não ser na morte. A mente, ela sim toma parte nas cenas oníricas, porque, fica livre da vigilância do estado objetivo, acordado do saber ou escolher o que é ou não real, possível ou impossível, verdade ou mentira, certo ou errado. É muito comum qualquer um se perder na predominância dos efeitos esquecendo-se de suas causas. Isso tem gerado muitos enganos, muitos úteis para os aproveitadores da ingenuidade alheia. Criaram “escolas” com preços nada módicos para ensinarem como sair do corpo (projeção astral) no estado acordado, consciente, igual ao “sair do corpo” de quando dormimos, com a vantagem de dirigirmos nossas “viagens”. Entretanto, devaneios são melhores, pois, são gratuitos e se sabe que são devaneios.


Altino Olímpio

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