16/05/2006
Viver Desvairado

Muitas pessoas depois de suas incumbências diárias, adormecem sem se preocuparem com suas situações. Antes, tentam preencher os seus momentos com ocupações triviais, elas sendo mais distrações como fugas dos seus próprios pensamentos, aqueles que possam acusar uma condição de ausência de valores. No vazio existencial os pensamentos são concomitantes com vazios recíprocos. Um “manto negro” se sobrepôs e pairou sobre a humanidade causando o desleixo de sua necessidade evolucional condizente com o propósito requerido pela vida. As instituições criadas pelos homens para suprir o lado moral e espiritual da existência, conforme vemos, falharam em seus desígnios. Suas normas não correspondem com este plano de existência, visto que, o “progresso” inutilizou-as sem adaptá-las ou substituí-las por outras normas mais reais e convincentes para serem praticadas ao nível da razão e não ao nível transcendental como até agora tem sido. O homem mais devia ser devoto ao próprio homem, pois, só a ele tem acesso indubitável. Nele, fácil de ser auferida é a sua soma de possibilidades. Relegar o homem a uma subserviência duvidosa nunca manifesta objetivamente em sua razão, apenas tem servido para iludi-lo com a premissa dele não ser responsável pela própria ascensão, dependente de obediência e de devoção ao que não pode ver nem ouvir e estando em outro reino inacessível a ele enquanto vivo. Esse fato, psicologicamente tem afetado o homem levando-o a se descuidar de si e de sua evolução que lhe é própria para empreender, sem os meios hipotéticos do mundo invisível acreditado por ele.

Enganado e então conformado com a inferioridade de suas possibilidades para sozinho se elevar a níveis superiores de consciência, aqui entendida como espiritualidade, o homem se deixa armazenar por teorias apenas faladas e repetidas, mas, nunca provadas. Elas são para a fé se sobrepor à razão e vencê-la. Desprezando a razão para confronto com a realidade, o homem mais se predispõe a mercê de um viver desvairado sem assim se perceber. A humanidade convive com muitos desvarios, mais ou menos, tornados “oficializados” entre todos os receptivos deles, esquecidos de suas razões para poder avaliá-los como inexeqüíveis, inviáveis. Se o homem fosse mais devoto ao homem, resgatando sua importância e potencialidade, só elas sendo a realidade alcançável nesta existência, deixaria de ser vítima das “realidades” inacessíveis, inoperantes então. Sua mente esvaziada das possibilidades apenas hipotéticas, mais contribuiria com um viver unificado para reconhecer os valores que lhe sejam discerníveis, portanto, reconhecidamente aplicáveis no seu viver. Liberto de sugestões duvidosas, o homem deteria em sua consciência o poder de sua razão e na prioridade dela abasteceria a sua mente com conteúdos prováveis. Desprovido de improbabilidades, mais íntegro então, o homem sente mais prazer em conviver consigo mesmo. É mais contente com a sua situação mais autêntica, sem a necessidade de ocupações triviais desnecessárias para se esquecer nelas.


Altino Olímpio

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