25/05/2006
A Psique Humana – Parte 5

Diferente da mente interior que é independente de nossa volição e por si mesmo se realiza nas funções autônomas e anônimas da nossa existência, a mente exterior (nosso eu consciente) necessita da nossa volição para se desenvolver até a maturidade quando se constitui na nossa consciência objetiva, cerebral, com poder limitado, porém, adequado para a sobrevivência com as exigências do mundo material. Podemos classificar como mente espiritual a mente interior e como mente material a mente exterior. Uma é tida como divina e a outra é tida como mundana.

A mente exterior que doravante vamos distinguí-la como “consciência exterior”, ela mais está sujeita pela predominância do mundo material. O ser humano vive escravizado sob um encantamento hipnótico proveniente da atração preponderante exercida por este mundo fenomenal. Sendo tão mais solicitada para atender as necessidades ou prazeres do mundo objetivo, material, entre a multiplicidade de sensações oriundas da disponibilidade dele, a consciência exterior sempre mais atuante por ser mais requisitada, ganha mais importância, provocando-nos uma percepção “concreta” dela entre as circunstâncias diárias do nosso existir material.

Habituada a ser a preferência nas exigências do nosso dia-a-dia, para a compreensão das percepções resultantes dos nossos sentidos de recepção, eles sendo a visão, audição, tato, paladar e olfato, a consciência exterior se destaca a assenhorear-se como sendo exclusiva para submeter qualquer fato ou circunstância para a sua apreciação e julgamento. Muito habituada nisso, a consciência exterior torna-se uma “autoridade” para avaliar as realidades da vida, considerando existentes só aquelas para a sua faculdade de constatar como reais, posicionando-se no desdém pela consciência interior, subconsciente, tendo ela uma faculdade diferente para lidar e interagir com as realidades, entretanto, esquecida e desusada, ela pouco interfere com a atuação da consciência exterior que vive na prioridade de ser toda conclusiva.

Cerebral, a consciência exterior é um todo acumulado de nossas experiências vividas, instrução, profissão, história, leitura, religião e etc. Ela é o nosso condicionamento adquirido desde a infância. É com o nosso condicionamento que avaliamos e compreendemos ou não, as informações que nos chegam. Toda nova informação ao chegar, automaticamente e antes de nossa percepção, ela desperta e retira do registro da nossa memória, outra ou outras informações que lhe tenham alguma relação. É no confronto e associação entre as novas informações que chegam com as já existentes na memória, que, o nosso “mecanismo” de compreensão começa a funcionar e entender as novas informações. Quando não temos nenhuma informação na memória para poder ter alguma relação e associação com uma informação nova, não podemos entendê-la de imediato. Primeiro precisamos aprender ou conhecer a novidade que ela é para nós, isto é, conceituá-la. Conceituando-a, a nova informação passa a existir onde ainda não existia, no arquivo da memória para futura associação com outra nova informação que tenha alguma relação com ela.


Altino Olímpio

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