20/06/2006
A Psique Humana – Parte 13

Os animais de uma mesma espécie não se diferem muito entre si quanto a seus comportamentos. Irracionais são dominados pelos instintos e seus desenvolvimentos nunca ultrapassam o nível da espécie a que pertencem. Com os homens é diferente. Muitos diferem entre si, uns se destacam dos outros com expansão maior de suas consciências. No homem, seu desenvolvimento vai além dos limites de sua espécie quando ela é entendida para especificar o desenvolvimento geral da maioria. Nela, o comodismo pertinente ao nivelamento mental, produz obediência pelas igualdades de costumes e comportamentos. Por isso, alguém desse viver comum ao se deparar com o que não é indicado para o seu vício de viver igualitário, incapacitado de se separar das mesmices vigentes, esse alguém é como uma mariposa a se debater de encontro a uma luz onde se ofusca. É quando exibe seu repúdio e indispor contra fatos e idéias diferentes das suas e da massa, donde adquiriu a sua exclusão das noções e percepções diferentes da vida que, poderiam abalar a estrutura de seu senso como infeliz avaliador para o que ainda inexiste nele e pode existir em outros.

A mesmice implantada como condicionamento das massas, facilita muito qualquer generalização de comportamento. Neste mês de maio passado, assistimos uma psicose coletiva que abalou a maior cidade brasileira, São Paulo. A causa da psicose foi o famigerado ataque dos bandidos contra as instituições de segurança pública. O povo com o medo aumentado pelas notícias divulgadas pela mídia, a qual, tem muita influencia psicológica sobre ele, “enfiou a viola no saco” e se escondeu. Com isso a cidade mais populosa se transformou numa cidade fantasma. Nem foi um “Deus nos acuda” porque ninguém se lembrou dele e o povo diante do perigo, para se safar, escolheu a alternativa de fugir como sendo prática infalível da realidade autêntica que, muitas vezes é preterida pela “realidade da providência”. Os carros com as inscrições, “Deus nos salva” ou “Sou protegido por Jesus” também não circularam nas horas de pavor. Ficou escancarada a única verdade funcional em que o povo pode se apoiar, aquela que está em poder dele mesmo e a que ele usou.

Um lembrete! Parabéns aos mais evoluídos que num pleito passado deram seus votos em favor do desarmamento da população. Tentaram o impedimento da “vergonha”, da “desonra” do esboçar reação do povo, para pelo menos em seu lar, proteger suas vidas quando colocadas em perigo por algozes, os privilegiados armados. Mas, o pleito foi desnecessário porque, nada existe a temer do nosso povo que vive do agrado das notícias sobre o rombo do seu erário, praticado por alguns de seus representantes eleitos e depois gosta de acompanhar o final feliz da novela em que eles, os “mocinhos”, terminam sendo mais bonzinhos para o próximo escrutínio. Entretanto, neste mês de junho temos o poder psicológico internacional da Copa do Mundo de Futebol. Nenhuma religião consegue criar uma corrente tão poderosa para o amainar das desavenças entre o povo, os políticos e os bandidos. Todos mentalmente se unem no mesmo objetivo e assim todos poderão ser felizes neste mês, até para o congraçamento mútuo e irrestrito nesta pausa dos envolvidos em contendas humanas. Embora desapareça como sorvete, Kibon para nós o quatriênio da Copa do Mundo de Futebol.


Altino Olímpio

Leia outras matérias desta seção
 » Somos o que pensamos?
 » Se não fosse os outros...
 » Fluxo de sensibilidade
 » Será que a vida é uma ilusão?
 » A marca da besta
 » Convém não pensar
 » Adeus dia de Finados
 » Conversa ocasional
 » Por que viemos ao mundo?
 » O passado convive com o presente
 » Os traídos e os traidores
 » Os exagerados do Youtube
 » Os que não sabem são os que mais sabem
 » Brasil, fonte do saber
 » Seres humanos que muito irritam
 » A Torre de Babel brasileira
 » Pegando pesado
 » Pensamentos lúcidos
 » O diálogo entre um Ateu e um Espírita
 » O gostar de alguém sem o alguém saber

Voltar