20/10/2006
Dois Temas

Dia 23-11-2001, este, a seguir, foi um dos temas de um programa de rádio.

Quem só encontra prazer nas distrações quer fugir do desprazer de ficar ausente delas. A falta de distrações para pessoas vazias leva-as a fugirem de suas quietudes e se reunirem com outras pessoas afins num “semelhante atrai semelhante”. O “diga-me com quem tu andas e eu direi quem tu és” esclarece bem a mesma condição de preferências e conseqüentemente os níveis mentais de ambos ou ambas. O “eu ando comigo mesmo” não é para qualquer um porque, quem vive assim, já conquistou sua liberdade e independência da carência de expor as circunstâncias de sua vida e a carência de querer ouvir as circunstâncias da vida dos outros, quando, mutualmente, o íntimo se sentir de ambos, cria a prisão da “obrigatoriedade” das confidências. É quando vem a existir a cobrança “por que você não me falou ou você devia ter-me contado”. Muitas vezes “o com quem tu andas” comprova a inferioridade de não poder se diversificar com os outros do “com quem tu não andas”.

Do dia 18-04-2003, sexta-feira santa.

Manter algum mistério pode ser o segredo de saber viver e se relacionar com outros para a simpatia não esmorecer. As pessoas que falam tudo de si mesmas perdem seus mistérios e os interesses dos outros por elas, ainda mais quando são triviais, óbvias e repetitivas. Quando conhecemos todos os mesmos assuntos de uma pessoa, nem sempre estamos dispostos a ouvi-la. Conforme o nosso condicionamento, fomos educados para ouvir a todos, mas, ao ouvirmos pessoas desamparadas de profundidades, nossa receptividade acusa irritabilidade. Durante esse constrangimento, sempre se disfarçando, o intelecto ou pensamento esconde sua irritabilidade em prol do viver bem em sociedade e para não magoar qualquer interlocutor. Para os outros sempre é melhor sermos um ponto de interrogação do que um ponto final. Sermos incógnitos é muito melhor do que sermos “minha vida é um livro aberto”. Grande coisa! Isso enfraquece aquela “curiosidade humana” que serve para aproximar pessoas e até diminui algum magnetismo que uma possa ter.

Altino Olímpio

Leia outras matérias desta seção
 » Conversa ocasional
 » Por que viemos ao mundo?
 » O passado convive com o presente
 » Os traídos e os traidores
 » Os exagerados do Youtube
 » Os que não sabem são os que mais sabem
 » Brasil, fonte do saber
 » Seres humanos que muito irritam
 » A Torre de Babel brasileira
 » Pegando pesado
 » Pensamentos lúcidos
 » O diálogo entre um Ateu e um Espírita
 » O gostar de alguém sem o alguém saber
 » Má temática da vida
 » Avenida Paulista amarelada
 » Tempo e a submissão a ele
 » Os simples e os gênios da humanidade
 » História apavorante
 » É proibido e pecado se suicidar
 » O castigo existe?

Voltar