20/10/2006
Cuidados Desprezados

Nós somos culpados pelos males que nos afetam? Por todos não, mas, pela maioria deles, somos culpados sim! Muitos ou quase todos só externamente cuidam de si e internamente se desprezam. Mais comum é a preocupação com a aparência externa. Com o bem trajar, o embelezar-se, com a vaidade de se tornar marcante na presença dos outros. Esse viver calcado nas aparências pode esconder problemas psicológicos, anomalias com a saúde, decepções, culpas, traumas e tudo o mais que pode ser disfarçado por um trajar elegante, quando, na companhia de outros. Fomos mais condicionados a preocuparmo-nos com o nosso lado externo. Nosso lado interno, como, nossa parte fisiológica e nossa parte psicológica, deixamos para outros resolverem para nós. Nossa parte fisiológica, nossa saúde, fica por conta da medicina resolver e para a religião deixamos nossa parte psicológica, aqui entendida como parte espiritual. O fato de deixarmos para terceiros resolverem questões que são nossas é uma autotraição. Entretanto, não nos percebemos disso, visto que, tanto somos mentalmente massacrados pelas “indústrias dos medos” e pelas “indústrias das salvações”. As primeiras estão pela difusão das “preocupações” com as doenças para torná-las existentes e temidas na psique do povo, e, faturam com isso. As segundas, como são sabidas, com meios sobrenaturais promovem restaurações de saúde e propiciam um viver psicológico protegido por um poder transcendental.

Como acusam as estatísticas, o ser humano tem prolongado seu tempo ou duração de sua vida. Isso pode confirmar que o prolongar da vida mais depende dele e não de um “destino” que regula e predetermina seu tempo de vida, como, muitos acreditavam e muitos ainda acreditam. Noutros tempos, um homem com cinqüenta anos já era um velho e nestes nossos dias, muitos com essa idade ainda não demonstram sinais de velhice. Isto é uma indicação da melhora de sua existência proporcionada por ele mesmo. Contudo, as doenças continuam se manifestando e muitas delas exigem tratamento ininterrupto com o uso de medicamentos até o fim da vida. No mais das vezes, padecemos dessas anomalias da saúde como conseqüência do nosso viver descuidado das defesas naturais que interiormente possuímos. Tais defesas nós mesmos as enfraquecemos com o nosso antinatural costume de se alimentar e de viver sob o impacto do estado de tensão desta vida agitada a nos oprimir. Muitos males que nos afetam poderiam ser evitados se dedicássemos ao nosso lado interior, a mesma ou maior consideração do que dedicamos ao nosso lado exterior. O “cuidar-se interiormente” é para o arbítrio de quem quiser e o interiormente se cuidar para aqueles já percebidos dessa necessidade, que cada um encontre o meio mais adequado para a sua constituição física e psicológica. De que nos adianta sermos atraentes por fora, bem vestidos e perfumados, se por dentro nosso estado é precário?

Obs: Este tema do programa de rádio do dia vinte e sete de fevereiro do ano dois mil e quatro, em parte foi modificado para melhor ser adaptado neste jornal.

Altino Olímpio

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