31/10/2006
Pouco Mudou

Podemos estar enganados ou mal informados, mas, quando pensamos em filosofia, nossa memória sempre está a nos lembrar dos filósofos e de suas filosofias do passado. Talvez, seja incomum alguém se lembrar de algum filósofo e de sua filosofia desta nossa época, embora, possamos ver na TV em algumas entrevistas, alguém exibindo seu currículo e nele também citado, o título de filósofo. Sendo mais atentos, podemos perceber nele um diplomado, um filósofo sendo “filósofo” por estar repetindo outro com sua filosofia do passado. Então é isso? Ser filósofo é discutir os filósofos e as suas filosofias do passado? Como na medicina moderna, o “dom” não é mais primordial? A prática da acupuntura, antiga como é, como consta na sua história, seus praticantes mais foram “leigos”, isto é, “tinham dom” mas, não eram médicos para exercer essa atividade de cura através da introdução de agulhas em locais específicos do corpo. A atual medicina, depois de em parte aceitar a eficácia desse tratamento e aprender a prática dele dos “leigos”, quer deixá-los de lado, proibindo-os de exercer essa prática se eles não forem legalmente formados como médicos. Dizem ser uma medida protecionista para o povo e contra a existência de possíveis charlatões a enganar a credulidade alheia, como se, entre os legalmente formalizados eles não possam existir. Ainda bem, que alívio.

Voltando aos filósofos contemporâneos, para se ser um deles é preciso freqüentar uma universidade por alguns anos e obter o diploma nominal com o título “formado em filosofia”. Tendo essa caracterização especial, ninguém e nem o próprio diplomado pode garantir sua condição autêntica de filósofo original, isto é, imaginativo, criativo, intuitivo, inovador, independente e diferente de todos os filósofos já existidos. Contudo, nessa desnecessidade de “dom natural”, bastando apenas simpatia pela filosofia, se encarada como profissão como atualmente pode ser, pode ter alguma vantagem porque, o “eu também sou formado em filosofia” pode ser parte do currículo de alguém se candidatando a um emprego remunerado.

Existem por toda a humanidade aquelas escolas do “faz de conta”. Indivíduos são formados oficial e legalmente para exercerem alguma atividade para o comércio intelectual e invisível das idéias para as massas. Esse “trabalho” é bem sucedido porque sustenta o emocional do povo e ele o abriga bem em suas cabeças. Quanto à eficácia das idéias, imparcialmente observando as atitudes, a educação, a situação, a inteligência e a evolução mental do povo, dá para se ter uma idéia. Cada um, conforme aceitou e assimilou ou não as idéias reproduzidas pelos “oficiais” encarregados de promulgá-las, se quiser, pode ter sua própria compreensão se elas, as idéias, produziram efeitos reais ou não para a humanidade. As escolas que formam seus alunos como “intermediários” entre Deus e os homens, no dia de suas formaturas, Deus não assina seus diplomas ou certificados e nem se apresenta como sendo o paraninfo de todos eles. Todas as “autoridades” de que esses alunos venham a serem imbuídos, são concedidas por outros homens com autoridades superiores para concedê-las e são reconhecidas pelo povo e por todo o sempre só por ele. Se nós parássemos para pensar no quanto de variedade do “faz de conta” que existe, perceberíamos sua necessidade de ocupar o oco de nossas cabeças e, como assim é, nossas vidas têm melhores passatempos.

Altino Olímpio

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