20/05/2007
Fruto Proibido

Numa vila, numa noite tranqüila como o próprio local, isso, por volta do ano de 1958, um personagem, à noite, encontrava-se só numa rua com iluminação precária.

A neblina envolvia e revolvia ao redor da fraca lâmpada do poste mais próximo à ele.

Tal como seus moradores, até suas residências pareciam adormecidas.

Protegido pelo manto negro da noite, onde a luz da lâmpada do poste não clareava, discretamente o personagem estava dando vazão à uma de suas necessidades fisiológicas quando, rompendo o silêncio noturno, o ruído de uma porta se abrindo, permitiu por ela, o alastrar-se parcial da claridade interna para a área anexa, revelando seus vasos floridos pendentes pelas paredes. Quase simultâneo, ele também ouviu barulho de passos se aproximando e ao olhar para donde os passos provinham, na obscuridade, ele reconheceu a silhueta de um homem conhecido por todos daquele bairro, mas, naquela hora, suspeito naquelas paragens, distante da dele. O homem interrompeu seus passos, olhou para todos os lados e sorrateiro, penetrou por aquela porta entreaberta e ao fecha-la, retornou o silêncio noturno, transformado em único cúmplice daquela aventura extraconjugal. Em seus devaneios eróticos de jovem ainda não iniciado objetivamente nos prazeres sensuais da vida, aquele personagem sentiu uma mudança radical.Tudo que antes, mental, causou-lhe excitação erótica, foi substituído pelas lembranças daquela noite com neblina, daquela casa e pela imaginada possibilidade de sexualmente ser iniciado pelos braços daquela alma caridosa de amores secretos. Num dia, viu-a saindo do único armazém daquele local, e ele, timidamente, abordou-a para uma conversa amistosa. Ao invés de brindá-la com galanteios e aguardar reações favoráveis, inexperiente que era, viu-se traído pelo nervosismo, ameaçando-a. Se ela não cedesse à seus propósitos adúlteros, ele tornaria público aquela aventura extraconjugal dela, testemunhada por ele. Os poucos, mas tão longos segundos de expectativa, precederam aquele violento tapa na cara, cujas conseqüências humilhantes, perduram-lhe atualmente.

Nosso personagem, depois da decepção, mergulhou nas suas reflexões:

“Os adultos têm como preponderância em suas vidas, a união sensual entre um homem e uma mulher. Falam do assunto com tanta ênfase e mistério, realçando muito aquele fruto desejado por todos, que até parece ser ele, o fruto do paraíso. FRUTO DO PARAÍSO! É mesmo, quantos homens já perderam a cabeça por causa desse fruto?
No começo da humanidade, lá no paraíso não era permitido ao primeiro casal existente, comer um fruto proibido. Como fui ingênuo! É obvio que o fruto não era a maça. Adão, Adão! O fruto, se antes de come-lo, tivesse ele refletido melhor, esta humanidade louca não existiria.”


Altino Olímpio

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