08/08/2007
Situações Opostas

“Normal é a pessoa que simplesmente consegue viver, quaisquer que sejam as circunstâncias, contanto que lhe sejam garantidas as condições mínimas de vida. Mas muitos não o conseguem; por isso não existem muitas pessoas normais”. (C. G. Jung)

A distorção de valores inicia-se já na juventude também incentivada pelos pais quando os mesmos mais preocupados estão com a “felicidade” material de seus filhos e pouco se preocupando com suas felicidades psicológicas ou espirituais. Muitos pais sentindo-se materialmente fracassados ou inexpressivos como pessoas proeminentes na sociedade, procuram compensações nas realizações dos filhos.

É comum encontrarmos alguém não visto há muito tempo e ao perguntarmos se ele está bem, sua resposta restringe-se mais como a vaidade de expor as conquistas alcançadas pelo seu ou pelos seus filhos. Na falta de objetividade da resposta da pergunta dirigida sobre sua situação, sua digressão, seu desvio do foco da pergunta sobre si já lhe deve ser comum no misturar seu “estar bem” com o bem estar dos filhos. Percebe-se muito essa auto-anulação nos pais quando eles, conversando com outros, distraidamente deixam transparecer que, seus “sou o que sou” se situam por detrás do que são os seus filhos.

Muitos jovens, inconscientemente sofrendo o efeito e a responsabilidade desse paradigma, eles, não medem esforços para se instruírem visando possuir capacidade para usufruir vantagens materiais da aplicação de seus estudos. Quase não pensam neles para obter melhor discernimento mental como sendo protetor contra as insignificâncias a que estão sujeitos e possam embotar suas vidas, tornando-se possuídos pelo que possuem e nisso pode estar o sem saber “deixar de viver em si”.

Naquele dizer de Jung acima, quando ele considera como normal àqueles que vivem apenas com o mínimo necessário, pessoas assim, em seus cotidianos e no relacionamento com os demais, são mais autênticas e libertas naquele “de igual para igual” que todos deixa bem à vontade e assim, sempre reina a descontração e a alegria das amizades.

Os da abastança quando de seus relacionamentos com outros não tão bem sucedidos como eles, embora não generalizando, suas “superioridades” sempre lhes estão presentes disfarçadas no “de igual para igual” do momento e isso, lhes acusa suas faltas de autenticidade nas “amizades” com os poucos favorecidos na vida, incluindo seus parentes.

Saber viver contentando-se com pouco é apenas para poucos no dizer de Jung. Para muitos, pejorativamente, isso é ser simples, é ser povo e mesmo... Fracassado. Quem vive com pouco tem pouco para se preocupar. Quem vive com muito, se preocupa muito em manter ou multiplicar o que possui. Quem vive melhor?

Altino Olímpio

Leia outras matérias desta seção
 » Fluxo de sensibilidade
 » Será que a vida é uma ilusão?
 » A marca da besta
 » Convém não pensar
 » Adeus dia de Finados
 » Conversa ocasional
 » Por que viemos ao mundo?
 » O passado convive com o presente
 » Os traídos e os traidores
 » Os exagerados do Youtube
 » Os que não sabem são os que mais sabem
 » Brasil, fonte do saber
 » Seres humanos que muito irritam
 » A Torre de Babel brasileira
 » Pegando pesado
 » Pensamentos lúcidos
 » O diálogo entre um Ateu e um Espírita
 » O gostar de alguém sem o alguém saber
 » Má temática da vida
 » Avenida Paulista amarelada

Voltar