17/09/2008
Poucas Opções

Cerca de cinqüenta anos atrás, naquela simplicidade de vida, como “alimento” para o nosso lado imaterial tínhamos a religião católica como a mais preponderante. Poucos se dedicavam à prática do espiritismo, sendo mais comum aquele conhecido como “mesa branca”. Os espíritas se reuniam em volta de uma mesa e todos de mãos dadas formavam uma “corrente” e logo nos “médiuns” ocorriam manifestações de espíritos desencarnados. Eles se debatiam demonstrando estarem “incorporados”. As pessoas dessa prática ainda estranha para a maioria eram disfarçadamente desprezadas e até temidas quando estando no convívio com as seguidoras da religião oficial do país, a religião católica.

Podia-se contar nos dedos os poucos adeptos da religião protestante e eram conhecidos como “os crentes”. Também eram vítimas de pilhérias motivadas pelo costume diferenciado de viver proposto por suas religiões. Lembro-me de um alfaiate dedicado à religião protestante e seguindo os preceitos dela, não possuía aparelho de rádio e nem de televisão, pois, eram considerados maléficos e possuí-los era proibido pela sua religião. Hoje, considerando o nível atual das transmissões radiofônicas e televisionadas, se percebe ter tido razão aquele alfaiate, embora, fosse considerado ingênuo e retrógrado naquela época. Nesta, as crianças, os jovens, os adultos e os idosos são “educados” ou “reeducados” pela televisão e o resultado é essa escassez de ética e moral.

Naqueles bons tempos de outrora tínhamos poucas opções para entreter o nosso lado psicológico. Relatamos três como sendo a religião católica, a religião protestante e o espiritismo. Essas eram as poucas referências para “desenvolver” o lado espiritual naquele viver simples e descontraído. Pouco se falava de fanáticos religiosos e todos viviam num bom relacionamento. Os meios de comunicação exerciam pouca influência no comportamento humano. Suas divulgações não eram tendenciosas e o respeito pelo próximo se fazia notar pela ausência de imoralidades. Jornais, rádio, cinema e com a televisão em seu início, esses meios de comunicação e entretenimento mantinham um certo pudor e como conseqüência a decência era mais comum entre nós. Entretanto, esses meios de comunicação foram “ganhando terreno” e foram tornando-se “indispensáveis” para a existência da maioria. Daí, com as pessoas mais isoladas em suas casas, as amizades foram diminuindo e as cidades pequenas foram ficando desertas já no início da noite para se assistir televisão. Foi quando se iniciou o afastamento e mesmo a desunião entre as pessoas. Agora com o massacre das informações quase só vemos pessoas esquecidas e mesmo enlouquecidas sem saber. Pela Internet a coqueluche é o sexo virtual e até vovôs e vovós praticam isso como bem se sabe. Não é zorra, é zona total. “Ai que gostoso, to acabando, coloquei lá você está sentindo? Ai, ai, ai, ai arrrfff”. “Sim, to sentindo não agüento mais, vou gozar e estou te lambendo, pode esguichar entre meus dentes”. “Ai ai, vira quero ir do outro lado, devagarzinho, está sentindo”. “Sim ai ai ai põem mais”. “Aaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiii cheguei ao fim, você também?” “Sim... ... também... você... é maravilhoso”. “Você também é maravilhosa”. “Bom, valeu, agora vou orar para dormir e você?” “Também vou rezar antes de dormir, durma com Deus querida”. “Você também amor, que Deus te proteja. Boa-noite”. “Boa-noite, fuuuuuuuuuuiiiiiiiii”.


Altino Olímpio

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