04/12/2009
Somos estranhos

Momentos existentes num período de tempo significam o que entendemos ser a vida. No período do nascer ao morrer gradualmente nos programamos, isto é, nos condicionamos conforme nossa hereditariedade, convívio familiar, escolar e pelas influências sociais do lugar donde nascemos se nele morando permanecermos. Quando pensamos sobre nós mesmos aparece na mente o quem somos entre os familiares, onde moramos e o que exercermos na e para a sociedade. Nossa formação profissional implica muito no pensar sermos o que ela significa. Nos “vemos” sendo quem somos nos bens materiais possuídos e até nos entretenimentos preferidos. No observar de outros, eles também nos consideram como sendo “quem somos”, devido ao que temos, exercemos, nos entretemos, com o que e com quem nos relacionamos. Qualquer pessoa se perguntada sobre quem é alguém, pra responder, ela recompõe na mente circunstâncias existenciais já citadas acima para descrever quem o alguém é. Comum para todos é considerar as situações, circunstâncias e atividades como elas sendo quem são as pessoas. Comumente o ser humano traz consigo “o ter e o seu fazer” para compor o que pensa ser o quem ele é. Se destituído de todas as caracterizações, como, descendência, família, bens, desejos, profissão, religião, entretenimentos e etc., ele não ficaria confuso no estabelecer quem é? Sem o que e sem quem vive à sua volta o homem fica sem referência para identificar sua individualidade. Pergunte-se: quem sou eu? Você não terá resposta diferente das dos demais, como: Sou filho de fulano, pai de sicrano, trabalho com beltrano e... Pare! Você está sendo associações. Sem elas quem é você? Ah, você na sabe e... Alguém sabe? Tente se perguntar, mas, a resposta não lhe surgirá. “O homem é o eterno desconhecido de si mesmo” conforme assim já dito por outros. Aquele “autêntico quem é” que se pensa estar por trás das ações de cada um, ainda é improvável que exista como uma entidade oculta dentro dele. A crença nesse “quem é” interior facilitou a propagação das hipóteses e dos delírios sobre sua responsabilidade no aqui e no depois na sua hipotética existência incorpórea, lá no não se sabe onde e para que. Contudo, enquanto aqui vivemos, o “quem se é” não se livra de ser o “eu sou o que possuo, eu sou o que faço, eu sou o que penso”. Parece que só existimos no que nos existe. Sem o que e sem quem nos exista, aquele “quem é” espiritual de cada um parece ser ilusão. Por ser temporária e transitória essa particularidade, a morte liquida com ela. Nisso está o retorno para ser o que se era antes do nascer: nada. Prova ao contrário não existe. Entretanto, enquanto existimos, características humanas próprias como nome, impressão digital, fisionomia e etc. nos distingue dos outros. Para eles, mais o nosso corpo nos representa como sendo o quem é. Pois, é ele o nosso primeiro meio de identificação seguido pelo agregado de conceitos adquiridos até então na vida, com os quais, exteriorizados refletem uma noção de quem somos. O nosso “eu sou” é aquele que veio se constituindo através da consciência e com ela interage até que ela se desfaça por ocasião da morte, ou antes, quando o cérebro se torna danificado, isso, sendo a razão de muitos perderem a referência sobre quem são e quem são os outros com quem convive.


Altino Olímpio

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