21/01/2010
Salto para a vida

Foi no sábado dia 16-01-2010 quando às quinze horas na rodoviária da cidade finalmente conheci a Márcia pessoalmente. “Velhos” conhecidos virtualmente, ao nos vermos parecíamos ser amigos de sempre, tamanha foi à intimidade amistosa naquela tarde tão gostosa até despercebida diante de nossa animada prosa. Com o carro dela num “salto” pela cidade com o sol ao alto, nós dois de boa idade percorremos pelos seus asfaltos sem qualquer maldade. Quando no instante que chegou a fome, ela me levou a um restaurante. Na hora de pagar a conta, como sempre finjo que não ouço, ela pagou e eu nem pus a mão no bolso. Depois, para se abastecer me levou a um supermercado e eu nada quis perguntar, porque, desconfiado pensei que seria a minha vez de pagar. Até me ofereci, mas, ela muito dona de si e que de atitudes desconfia recusou minha cortesia (risos). Levou-me então para sua morada onde me instalei sem vergonha de nada. O gato preto chamado de “gordo” de fato não me estranhou como se já estivéssemos num acordo. O cachorro também muito dado não saia do meu lado, agarrava meu braço e parecendo uma máquina de costura, nele ficava grudado, coisas essas de cachorro tarado. Nessa circunstância nada tendo de elegância chegou a Suzana, irmã da Márcia, querendo dar uma de bacana. Parecia gostar de sacanagens, pois, só falava bobagens. Disse pra irmã num tom desgostoso estar decepcionada por vê-la ao lado de um homem idoso (risos). A Suzana foi embora para depois nos encontrarmos noutra hora. Isso aconteceu já tarde da noite na alegria que contagia na “Casa da Tia”, bar-restaurante do Tibério, filho da Márcia, rapaz este sem qualquer mistério que na brincadeira conduz aquele recinto muito a sério. Lá, não sendo calúnia, minha amiga espalhou que meu apelido é “Múmia”. Apelido este entre os contatos da internet que não me compromete. Até foi bom porque colaborou com a descontração e nas risadas com que o apelido Múmia provocava. Lá pelas tantas, confundindo apelidos um rapaz gritou-me “hei lobisomem”. De imediato me vi em Caieiras me lembrando de um homem, o Sérvio Bertolo, marido da Ada, ele sim é que é o lobisomem. Naquele ambiente de música ao vivo e de viver contente conheci boa gente daquelas de querer ver sempre. Aqui estão seus nomes: Paulinho filho da Suzana e sua namorada Luana, Vanessa esposa do Tibério e sua mãe Valci, as bem descontraídas amigas Silvia e Laurita, o Ricardo, vulgo Estógio, aquele que me chamou de lobisomem, o Serginho voz de locutor de rádio, o Amauri, lutador de vale tudo, Paco e sua namorada também de nome Luana, Mariana, a cozinheira, Leandro, André Fall e Danilo, estes três últimos na simpatia do servir os freqüentadores da casa. Pelo decorrer das horas e muitos tendo ido embora, os que permaneceram na “Casa da Tia”, agora, sem de gente estar cheia se viram na surpresa de participar de uma boa ceia. Assim foi a despedida daquela noite bem divertida. De volta pra casa da Márcia quando a sós um ao outro ataca tudo foi diferente porque ela tanto falou e falou como se fosse uma matraca. E também eu já nem disfarçava, só me preocupava com o cachorro que tanto em mim se esfregava. Até antes do amanhecer confidenciamos nossas emoções lembradas e também nossas tristezas guardadas. O domingo estava como um poema e fomos pra Indaiatuba visitar a Dona Dema. Mãe da Márcia, ela se viu envolvida com nossas engraçadas falácias. E entre as brincadeiras de nossa arte, ela contou que em sua mocidade havia dançado com o saudoso galã e ator Anselmo Duarte. Na volta o fim da noite era de chuva lavando as ruas desertas provocando assim reflexões incertas. Chamei a atenção da amiga sobre os postes em fila, cujas luzes pareciam tristes ao nos anunciar a nostalgia dos fins de domingo. Entretanto, a nostalgia se afastou de nós dois, pois, nossa alegria nunca nos deixou. Estivemos irmanados sem qualquer constrangimento em todos os nossos bons momentos. Na segunda-feira ao sentir um roçar no rosto e ouvir um miar, isso foi o que me fez acordar. O gato preto surgiu de mansinho querendo carinho. Sim, se aproximava a hora da minha partida contrariamente decidida. A amiga me levou até a Estação Rodoviária onde nossos sentimentos eram mútuos em agradecimentos de verdade oriundos de nossa grande amizade. Já em casa ainda envolvido por lembranças baixinho cantei uns trechos da música do Roberto: “Tudo estava igual como era antes, nada, quase nada se modificou, só eu mesmo mudei e voltei. Eu voltei pras coisas que eu deixei, eu volteei...”.

Altino Olimpio

Altino Olímpio

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