19/06/2010
Acontecia nos bailes

Hei amigo, está gostando do baile abrilhantado por essa orquestra? É um espetáculo, não é? O que? Ah, você quer tirar a fulana pra dançar? Ah, não dá tempo? É rapaz quando a musica começa “esses caras” ai parecem uns desesperados correndo pelo salão para tirar as donzelas para dançar. Faça como eu. Tire-as de longe com um aceno de cabeça. Ela não te olha? Então desista, ela não se simpatiza com você ou pensa que você não é bom de baile. Sei não! Se você for lá tirá-la pra dançar talvez ela te dê taba. Por falar em dar taba, em bailes daqui sempre um rapaz levava uma de uma moça. Mas num dia... Ele foi tirá-la pra dançar e novamente ela recusou. Isso era horrível. A gente ficava com cara de tacho diante das pessoas que estavam próximas e a isso assistiam. O sangue subia, a gente ficava vermelho e perdia o rebolado. Voltando ao rapaz que levou taba, já prevendo isso, naquele dia assim que ela o recusou, ele jogou um punhado de mato no colo dela e falou: já que não quer dançar coma capim então (risos). Rapaz criativo não é mesmo? Também, quando uma moça dava taba em alguém e saia dançando com outro, isso às vezes acabava em briga, eram tapas e socos por todos os lados, principalmente se o “outro” era um sujeito de fora. Orra meu! Olha que cantora gostosa hummmm. Vai rapaz, desembucha, vai tirar a fulana pra dançar. Mas você já viu? Ela com quem dança sempre lhe coloca a mão no ombro para empurrá-lo se ele quiser se encostar muito. O que? Não ouvi, fala mais alto. Ah, entendi. Você disse que ela parece que tem o rei na barriga? (risos) Não penso assim antes de conhecer uma pessoa. Muitas vezes a gente se engana do que possa pensar sobre ela. Bem, eu não vim aqui para conversar com homem. Temos fartura de mulher por aqui, então, vou dançar. Ah, que saco! Quem eu ia tirar já saiu pra dançar. Vem, vamos até o bar, te pago um Martine. Depois voltamos aqui.

A vida é uma dança, sentimos no viver a sua semelhança
Já tivemos ritmos alegres quando muito rimos
Nas perdas vivemos como se tivéssemos perdido seus compassos
Uma melodia a despertar uma saudade ela doía
A vida nos dá um baile quando tira os nossos pares
Como o destino está a nos orquestrar temos que dançar
Que rufem os tambores e afastem os dissabores
Que o repicar da bateria devolva a minha alegria
Ah trompete, nos carnavais fui feliz entre confete
Violinos pareciam sempre estar em meu caminho
Agora, com acordes dissonantes nada mais é como era antes
Com acordes diferentes me vejo descontente.

Altino Olímpio

Leia outras matérias desta seção
 » Fluxo de sensibilidade
 » Será que a vida é uma ilusão?
 » A marca da besta
 » Convém não pensar
 » Adeus dia de Finados
 » Conversa ocasional
 » Por que viemos ao mundo?
 » O passado convive com o presente
 » Os traídos e os traidores
 » Os exagerados do Youtube
 » Os que não sabem são os que mais sabem
 » Brasil, fonte do saber
 » Seres humanos que muito irritam
 » A Torre de Babel brasileira
 » Pegando pesado
 » Pensamentos lúcidos
 » O diálogo entre um Ateu e um Espírita
 » O gostar de alguém sem o alguém saber
 » Má temática da vida
 » Avenida Paulista amarelada

Voltar