12/05/2011
Autotraição

Autotraição

O que na realidade seria ser adulto? Adulto não seria quem resolve seus próprios problemas? Não estaria ele apto a se orientar pelo seu raciocínio? Sim, orientando-se por si mesmo, isso, seria ser adulto e deveria ser comum entre as pessoas. Mas, não! A maioria das pessoas tidas como adultas se expõe a acatar sugestões, costumes e conceitos provenientes de raciocínios de outros. Sendo assim, a maioria é massa de manobras. Quem se sujeita a reunir-se em grupo para ouvir apenas um a impor suas ladainhas a serem seguidas, trai a si mesmo por postar-se submisso às influências de outro. Sabe-se, quando crianças todas tiveram a necessidade e a obrigatoriedade de reunir-se a outras em salas de aulas para adquirirem o aprendizado, cujo objetivo era o desenvolvimento do raciocínio. Nessa circunstância pueril e depois juvenil estiveram a ouvir apenas uma pessoa por vez a instruí-las, um professor ou professora. Nesse caso a instrução esteve a ser comprovada como tendo praticidade geral. Podemos chamá-la de ciências exatas para o domínio público. Entretanto, muitos não tão adultos envolvem-se com ciências inexatas, aquelas a ter conclusões subjetivas sem ter correspondência objetiva ou real. Isto já é percorrer pela obscuridade das abstrações. Aceitar existências que não se pode sentir, tocar, ver, ouvir, comprovar e não ter a mesma conceituação delas por todos, tais “existências” são abstrações. Estas, diariamente têm seus difusores e seus receptivos concordantes. É comum o fato de muitos se reunirem para ouvir apenas uma pessoa transferindo sua “incontestável” convicção de como uma entidade incorpórea está a vigiar, dirigir e sanar as necessidades dos seres humanos. Ter que ouvir uma só pessoa a proferir conceitos foi necessário na infância e adolescência como acima exposto, mas, não no estado de adulto, quando, por si mesmo cada um deveria ter o poder de discernir sobre o que é viável ou inviável. Afastar o raciocínio para aceitar explanações quando elas podem ser duvidosas, isso é autotraição. A realidade é isenta de características atrativas. Por isso é costume geral gostar de “teatrá-la” com imaginações, superstições, inverdades e ilusões. Com essas “propriedades” subjetivas adquiridas o ser humano costuma dispensar a realidade. Contudo, diante de uma minoria de pessoas esclarecidas, para as menos tolerantes entre elas, as próximas e acima “propriedades” subjetivas e seus proprietários são motivos de desdém. Quanto ao que seria ser adulto de verdade, preponderante é que ele tenha clareza mental para evadir-se das armadilhas doutrinais falsas ou hipotéticas, para as quais, a maioria é aderente. Acompanhar a maioria por ser maioria pensando que ela sabe sobre o que de fato lhe convém, isso é absurdo. Existem pessoas incapazes de ler e entender este texto. Entretanto, arvoram-se como entendidas sobre fatos e “vida” existentes no além da fronteira onde suas consciências não conseguem definições e nem mesmo penetrar.

Altino Olympio

Sobre a crônica “Autotraição” contida aqui nesta coluna do jornal.

Realmente, hoje a maioria das pessoas está envolta nessas abstrações a que a crônica “Autotraição” do Altino se refere. Absurdo maior é o fanatismo irracional que cega e paralisa a capacidade de discernir a verdade da mentira. Contudo, faço algumas observações baseadas na minha vivência pessoal. Fui criada e convivi com minha madrinha, Maria Aparecida Sant’Anna, uma pessoa pra mim maravilhosa que, muito religiosa sempre foi católica. Ela é mãe da Elenice e da Jandira. Pessoa do bem que era sempre me direcionou para os seus mesmos princípios religiosos. Quando criança participava dos rituais da igreja. Mas, adulta fui me distanciando, considerando parte de tudo sem coerência, sem comprovação, sem lógica. A idéia do pecado, da bondade ou maldade tinham pra mim outro sentido, daí eu ter chegado num estágio em que duvidei de muitas coisas que até então me foram passadas. Porém, nunca ignorei que as religiões existiam. Lia de tudo, a Bíblia, as revistas evangélicas que me eram jogadas na calçada de casa e me infiltrei na doutrina espírita, a qual mais me agradou. Ouvi palestras da Seicho No Iê, obtive literatura Rosa-cruz, enfim, quis saber o que todas essas instituições pregavam. No final conclui: Todas querem fazer com que o ser humano seja crente a Deus. Todas acreditam que existe um poder maior, uma força que chamo de energia e que foi responsável por arquitetar o universo, os seres vivos, os animais e a natureza. Nisso fiz e faço questão de também crer, afinal, de onde tudo surgiu, de onde tudo começou e como foi a evolução ao longo do tempo? O homem, no entanto, preferiu criar a religião para enfeitar, para controlar as massas, para se apoderar do domínio total, para submeter os mais fracos e para finalmente sentir-se superior a tudo e a todos. Também considero certas encenações religiosas, verdadeiros circos. As afirmações de vida após a morte, incorporação espiritual, curas e etc., penso que são mesmo abstrações. Acredita quem quer ou quem necessita acreditar. Entretanto, eu mesma em situações aflitivas de doenças, de problemas desesperadores, já tive que esquecer minha racionalidade e recorrer a recursos como: rezar, acender velas ao anjo da guarda, participar de novenas católicas e até pedir proteção a pessoas queridas que já haviam partido desta vida. Deixando de lado a racionalidade, desligando-me do conceito de abstração pude encontrar tranquilidade e soluções para cada situação vivida. Quanto à existência de vida após a morte, isto é e será sempre um grande mistério. E até que se prove o contrário não dá pra desacreditar totalmente (Frase do psicanalista Flavio Gikovate). Tudo, porém, não deve ser levado ao exagero, ao fanatismo, à cegueira. Acreditar em alguma coisa, talvez, até seja necessário, já que isso pode frear nossos impulsos primitivos e na maioria das vezes nos leva a nos tornar mais humanos, mais solidários e menos egoístas. Esse freio o qual chamo de temor a Deus acredito ser necessário, pois, facilita as relações humanas, ameniza o nosso duro cotidiano e oferece certo alento a nossa vida, mesmo, tudo sendo totalmente abstrato. Será que me estou “autotraindo” pensando e agindo assim? Pode ser, mas, será que de outra forma seria mais eficiente?

Fatima Chiati




Altino Olímpio

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