16/03/2012
Perguntar já era...

Perguntar já era

Antigamente naquele modo simples de viver tudo era mais esclarecido. As pessoas conversavam mais e o importante, perguntas eram feitas e respondidas. Hoje não, perdemos a capacidade humana de perguntar. Agora fomos habituados a ver e ouvir. Se estivermos a ler um jornal não há como perguntar pro causador de um crime porque ele cometeu tal absurdo. Se na televisão aparece à imagem de um ministro que desviou verba pública não temos como perguntar pra ele como ele conseguiu tal proeza. Quanto dinheiro ficou com ele, onde ele depositou o dinheiro, se ele vai devolver... Quando assistimos a uma novela vemos e ouvimos a conversa de uma mulher que traiu o marido e não podemos perguntar onde se deu o fato, se foi num carro, se foi num motel, quantas vezes ela se realizou. Na novela, outra só gosta de mulher e não há como perguntar pra ela se isso é gostoso, o que elas usam e como é que elas gostam de gozar. Ao ler um livro sobre uma guerra não há como perguntar pro autor do livro se alguns fatos são realidade ou se ele inventou. Então, com a incidência da comunicação das massas (mídia) nós fomos condicionados apenas para assistir e ouvir. Temos que acompanhar a sequência dos fatos sem a possibilidade de interromper e perguntar algo sobre os mesmos. Numa palestra, no final dela o palestrante costuma perguntar se alguém quer fazer alguma pergunta. Já é quase raro alguém se manifestar com uma pergunta. Claro, pra que?  Ver e ouvir são mais cômodos. Certa vez estive numa palestra sobre esoterismo e ouvi esta conhecida frase: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida e ninguém vai ao pai ‘senão’ por mim”. O orador disse que essa frase foi Jesus quem disse. Ele foi afirmativo, mas, pensei: Há controvérsia. O citado não deixou nada por escrito e não há como comprovar, mas, é para acreditar. E eu continuei pensando “e todos aqueles que viveram antes da época de Jesus se não tinham Ele para ser-lhes o caminho, conseguiram eles chegar até o Pai?” Pensei em interromper a palestra e perguntar isso para o palestrante, mas, pensando melhor, todos iriam me chamar de polêmico. Então me lembrei que está na moda o só ouvir, acreditar e, nada perguntar. Por isso, me mantive calado. Conclusão: Fiquei sem saber o que aconteceu com eles e se por si mesmos encontraram o caminho. Depois o assunto mudou para o “ler pensamento” e o macaquinho da minha mente que pula pra cá e pra lá me falou “coitados dos analfabetos, esta palestra não serve pra eles” (risos). De todas as palestras onde estive ficou-me um grande aprendizado: O de se calar, nada perguntar e não revelar o que se venha a pensar. Isso sim é saber viver. E sempre ser querido entre os outros e a melhor forma de conquistar amigos inteligentes de verdade.

                                                                                                    Altino Olympio 


Altino Olímpio

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