12/02/2014
Ajuizado contra juizes

Ajuizado contra juízes

Domingo dia nove de fevereiro deste ano de dois mil e quatorze assistindo a um noticiário da televisão vi o ex-presidente, muito bom quando se manifesta de improviso, discursando contra os ministros do Supremo Tribunal Federal. Disse ele que os ministros da mais alta hierarquia judiciária do país não deviam “fazer” política e sim restringirem-se aos propósitos de suas funções. Se quiserem cargos políticos que se afiliem a um partido e se candidatem para deputado federal, por exemplo. Terminou dizendo que é solidário aos condenados do processo apelidado de “mensalão”. Então, considera-os injustiçados e foi ovacionado por isso. Entretanto, quatro daqueles ministros foram indicados por ele e outros quatro pela atual mandatária do país do mesmo partido político dele. Será que aqueles juízes foram ingratos e “cuspiram no prato que comeram” no pensar do ex-presidente que os indicou para tão elevado cargo.  Acredito que não. Todos eles foram sabatinados pelos senadores e considerados aptos na lealdade, na imparcialidade e no exercer da legalidade nos julgamentos de infratores. Qualquer desmerecedor que tenha o “rabo preso” com alguma associação e por isso não podendo ser imparcial nos julgamentos jamais seria acolhido pelos senadores para exercer tão nobre missão para a pátria. Será que o ex-presidente “pisou na bola” quando criticou os juízes do STF? Corajoso, não? O tempo confirmará se ele está com a razão. Mas, para se saber com antecedência bastaria perguntar aos repórteres se algum Juiz do STF quer ser político, pois, muito “cutucaram” um deles, famoso agora pela sua austeridade, perguntando-lhe: E ai? Vai se candidatar à presidência do Brasil? Vai se candidatar? Vai se candidatar? Gozado, talvez aquele juiz nem tivesse pensado nessa possibilidade. Sem saber o que responder se sentiu como se estivesse “perdido no mato sem cachorro” tal a sua surpresa de ver-se insinuado como um futuro presidente. Sabe-se que os repórteres brasileiros são muito evoluídos, pois, lêem os pensamentos de qualquer entrevistado por eles, daí serem dignos de créditos e alguém ao querer saber de alguma verdade (mas, verdade mesmo) basta perguntar para eles.

                                                                                                            Altino Olympio



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