18/01/2017
Mentes perturbadas

Diariamente quem assiste ao Jornal Nacional da Rede Globo de Televisão vê e ouve a mais importante notícia do dia. É quando o apresentador do programa jornalístico se levanta de onde está para ir até ao telão falar sobre o clima com a fulana que está em São Paulo. Eles se cumprimentam e a fulana na repetitiva diária diz “boa-noite pra você e pra sua colega”. O que interessa para os ouvintes de todo o país ter que ouvir essa “educação”, essa formalidade desnecessária entre eles que mais está para o ridículo do que para a necessidade da informação? Eles fazem parte daquilo que se chama “massificação do povo”.  O diretor que colocou em prática essa idéia dos agradinhos dos cumprimentos entre os participantes do jornalismo deve ser bem dado a promover costumes já tão enfadonhos que só agradam aos distraídos das importâncias e aos indiferentes contra as banalidades. 

Agora vamos para a maravilha da internet. Nela temos os “Hangouts”, conversa ao vivo entre várias pessoas com muitas as assistindo. Os assuntos são muito relevantes. Geralmente são sobre questões políticas, corrupções, comunismo, intervenção militar e etc. Emocionante a “abertura” desses programas quando um dos integrantes dos tais Hangouts inicia a apresentação de seus colegas de palco: “Boa-noite, eu sou o Tal e hoje comigo estão o Fulano, o Sicrano e o Beltrano. Todos nós aqui estamos para esclarecer sobre uma situação muito perigosa que pode ocorrer ao país. Hei fulano, tudo bem? Você que é muito bem informado, como está a família? E o fulano responde: Hei Tal, comigo tudo bem. E ai, teu time perdeu ontem? Tal continua: Perdeu sim, e você Sicrano, sempre na boa vida, hein? Sicrano responde: Boa vida que nada, a situação está muito difícil. O Beltrano é que deve estar numa boa. Beltrano confirma: Estou sim, numa boa e merecida decepção com este país kkkkkkkk. E Tal entra no assunto do dia: Meus amigos, lá na... Lá na... Lá no Congresso... É... É... Os deputados vão votar num... Num projeto que... É... É... Então...

Alguns Hangouts são assim mesmo. Haja saco para aguentar a continuar a assistir. Toda a importância de um assunto se perde diante da banalidade do início (conversa mole), da péssima dicção de alguns expoentes dos esclarecimentos, de alguma interrupção inoportuna e às vezes falta de objetividade. E tais Hangouts têm a duração de mais de uma hora e...

Agora vamos discorrer sobre os nossos amigos que estão muito doentes. Alguns deles reclamam sobre nós dizendo que sumimos. Como na vida se cansa de tudo, as vezes, também nos cansamos dos amigos (coitados e eles não têm culpa). Nós é que nos tornamos impacientes. Nas conversas por telefone ou pessoalmente, ao falarmos sobre algum assunto, esses amigos logo nos interrompem sem ao menos termos chegado ao fim do assunto. Nossos assuntos não lhes interessam porque sobre o mesmo assunto eles têm muito mais a dizer e por isso nós nos calamos. Às vezes um deles pergunta: Por que você não fala? Só eu sou quem falo? Então respondemos: Não falo porque estou te ouvindo com muita atenção, igual a como quando você me ouve (risos). Embora eu tenha me tornado um velho chato, percebi que sou muito comunicativo, por isso gosto de embarcar no trem, no metrô e gosto de estar donde tem muita gente, mas, rezando para não encontrar nenhum conhecido (risos). É o meu medo atual.

Um deles pode me alugar só para ouvi-lo e eu com tanta coisa maravilhosa para dizer, não poderei porque não conseguirei interrompê-lo. Outro dia, ou melhor, numa noite ao me deitar pensando em logo adormecer, não consegui. Estava muito triste e não evitei as lágrimas que molharam minha face. O motivo foi por não ter com quem me desabafar. Sempre que tentei um desabafo com alguém amigo, fui interrompido por cerca de cem desabafos dele. Uma vez ao me queixar para um amigo que é espírita, ele me disse que a minha missão na vida era ouvir e não ser ouvido. Na mesma hora eu pensei “eu to é fudido” (risos).

                                                                                    Altino Olympio 



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