22/08/2017
A vida como ela é e não é

Sempre fui cheio de querer saber

Se a vida tem alguma razão de ser

Ou que seja só para viver por viver

Se o existir tem algum propósito

Ninguém sabe ao certo

Nesse viver tão incerto

Sei que criaram muitas respostas

Mas todas são apenas apostas

Certeza mesmo é que se morre

Nada existe que nos socorre

Viver pode ser mesmo um acaso

Da gente só existir num prazo

Quando ele se esgota

Não adianta sentir revolta

É o fim de todo o nosso acúmulo

E sem ele vamos para o túmulo

Pra que se levar a vida tão a sério

Se o nosso fim é lá no cemitério

A morte é apenas aquela fronteira

Onde deixamos as nossas besteiras

Acumuladas pela vida inteira

Ridículo como as incertezas

São aceitas como certezas

Iguais aos fatos improcedentes

Sem realidades correspondentes

O meu estar “cheio de querer saber”

Já sumiu antes de eu morrer

A vida não é só aquela beatitude

Que faz feliz e ilude a juventude

Ela não é aquele mar de rosas

Dito por quem só gosta de prosa

Muitos ainda não têm a noção

De que a felicidade pode ser ilusão

Que só existe no desejo de desejá-la

Só sei que com tanta palhaçada

A vida é mesmo muito engraçada

E eu fico sempre dando risada

De quem não sabe de nada

E pensa que sabe de tudo

Mesmo sem ter qualquer estudo

A vida é boa só pra quem vive à toa

Sem responsabilidade e compromisso

Num viver de egoísta e de omisso

Mas não sei se na vida existe algum propósito

Só sei que o mundo é um imenso depósito

Pra tanta gente que sempre sente e pensa

Que basta apenas viver e só isso já compensa

 

Altino Olympio

 



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