28/03/2018
A proteção desprotegida

Numa ocasião eu e um amigo estivemos numa cidadezinha daqui do interior do Estado de São Paulo. Hoje a cidadezinha parece estar meio esquecida, mas, antes, quando o rio que passa por ela ainda não era tão poluído e tão fedorento, ela era muito frequentada pelos religiosos das cercanias e pelos religiosos distantes de lá e pelos chamados romeiros que lá compareciam montados a cavalo. Mais aos fins de semana a cidadezinha ficava apinhada de gente. Defronte a então principal igreja local, havia um espaço que terminava num muro donde abaixo dele passava o rio que era um convite para os passeios de barco daqueles bons tempos. Pequenas lojas de souvenir eram outras atrações para quem lá religiosamente comparecia.

Quando eu e um amigo estivemos lá, nós entramos numa loja e disfarçadamente o amigo me chamou à atenção para olhar um quadro que estava por cima da porta de entrada daquele estabelecimento. No quadro com a foto da santa estava inscrito que ela protegia aquele “lar”. Entretanto, na porta e na janela havia também vários cadeados. Proteção dupla. Infelizmente aquele rio poluído causou muito prejuízo para aquela cidadezinha que mais sobrevivia com o turismo religioso. Até a frequência à igreja local diminuiu.

Atualmente, pelo mundo, as igrejas, templos, sinagogas e mesquitas, quando estão repletas de devotos, terroristas as invadem com metralhadoras e até se explodem para matar aqueles que juntos estão professando a fé. Nestes tempos tão apocalípticos não existe proteção nem para bala perdida (risos). Conforme se assiste pela mídia, nem a polícia e nem o exército conseguem dar proteção á Cidade do Rio de Janeiro que já foi considerada a cidade maravilhosa. Parece que lá nas chamadas favelas as mortes diárias “se tornaram banais” devido ao confronto entre a autoridade da Segurança Pública e os marginais. Proteção, segurança... Só daqui a mil anos. Aguardemos então! O povo é paciente.

Altino Olympio



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