17/11/2018
Quando o paraíso existe

Quando a monotonia dos feriados parece estar em sintonia com a paz e a tranquilidade sentida pela ausência dos seres humanos, que, em seus “vai-e-vem” pelas ruas de qualquer bairro são aglomeração, agitação e barulho. Nos feriados, esses dias de folga da necessidade de sair de casa das pessoas que às vezes saem mesmo sem ter necessidade tornam o dia mais apreciável. A ausência dos automóveis estacionados em ambos os lados das ruas torna-as mais atraentes para se locomover por elas a pé, visto que, sem tais veículos a paisagem delas é bem mais agradável. E no feriado sem o transito desses “sonhos de consumo” de lata (automóveis) o dia fica mais calmo e propício para se sentir mais presente no mundo, diferente de quando a agitação semanal nos distrai de nós mesmos. Nas ruas e avenidas, as portas fechadas das lojas do comércio indicam que aquelas que barulheiam com sons de músicas “desmusicadas” para quem ainda tem bom gosto musical, nos feriados, em silêncio elas são a trégua para quem detesta ruídos inconvenientes. Nos feriados não existem aqueles “uns se trombam com outros” em seus trajetos pelas calçadas das avenidas donde o comércio é mais atraente. Nem se ouve aquelas agradáveis gritarias das crianças de quando elas saem das escolas no término de suas aulas.

No silêncio dos feriados e na ausência de pessoas pelas ruas, isso facilita o se introverter, “coisa rara hoje em dia” (risos) para quem só se “extroverte” para ficar ciente com o que ocorre no cotidiano da atividade dos outros. Muitos, sem os atropelos semanais dessa vida agitada sentem tédio ou melancolia. Consideram “chatos” os feriados naquele “não há o que fazer”. Quando se sai daquela escravidão que existe no lar, aquela escravidão tão “grudante” dos programas de televisão dos feriados e se sai caminhando pelas ruas desertas, o alívio combinado com a satisfação de viver sem precisar se demonstrar para os outros o quem e como se é, isso faz com que o feriado se torne um aliado para melhores reflexões sobre a vida. Na ausência de conhecidos pelas ruas, o feriado fica livre de assuntos já aborrecidos (risos) como o da principal disputa eleitoral ainda recente e de quando o fanatismo angariou mais vítimas de ambos os lados da disputa. Mas, bem-vindos sejam os feriados que me proporcionam o pensamento de ser livre das confusões e do estar perdido no paraíso terrestre das ilusões.

 

Altino Olympio

 

 

 



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