19/02/2019
Rio assassinado e garoto acidentado

Quando a Cidade de Caieiras ainda não era emancipada, esse nome “Caieiras” existia só para as terras ou território da Cia. Melhoramentos de Papel de São Paulo. Onde, no que era chamado de Bairro da Fábrica passava o Rio Juquery quando ele ainda tinha suas águas limpas e também mesmo depois de suas águas estarem sujas e poluídas. Primeiro, a poluição começou lá no então muito conhecido Bairro da Cerâmica cuja fábrica de celulose lá existente despejava seus dejetos no rio para depois no Bairro da Fábrica ser acrescentado por outros (lixívia) completando assim a destruição daquele rio que ao seu final despejava suas águas no famoso Rio Tietê. A lixívia era usada para o cozimento de madeira para a preparação da fabricação de papel.

 

Mas, era preciso se livrar dela depois dela ter sido utilizada e para isso existiam caminhões pipa que a despejavam ainda quente pelas ruas de terra batida do local como também a despejavam no Rio Juquery pretejando suas águas matando assim toda a sua vida aquática. As ruas também ficavam pretejadas e a única vantagem era que elas não mais empoeiravam. Quando o despejo da lixívia ainda era recente pelas ruas, para transitar por elas era preciso escolher suas beiradas, quando possível, para evitar sujar a sola dos sapatos. Várias vezes ouvi pedestres, como eu, reclamarem por precisarem escolher onde pisar para não se sujarem (risos).

 

Se me lembro, a lixívia também era despejada no trajeto entre a Estação de Trem de Caieiras até a Vila Cresciuma (hoje, centro de Caieiras) que mais era uma vila dormitório, pois lá havia pouco comércio e seus moradores, para trabalharem se deslocavam para outros lugares distantes da região ou mesmo para a fábrica de papel acima citada que ficava próxima. Numa tarde que hoje está esquecida no tempo, naquele lugar de entrada para a Vila Cresciuma que se chamava Vila das Cabras e que ficava próxima ao cemitério, ouve uma fatalidade. O caminhão de lixívia, assim como era chamado, trafegando por aquele local assustou um cavalo em que um menino estava montado. Com o susto o cavalo derrubou o menino e ele ao cair no chão, teve sua cabeça esmagada pelas rodas do caminhão.

 

Foi uma cena muito triste ver aquele menino prostrado no chão tendo tingido de vermelho a terra do local donde ele estando morto ficou exposto. Naquela época eu não soube quem eram seus familiares. Mas, muito imaginei os sofrimentos deles. Muitos anos se passaram e eu ainda me lembro desse fato tão triste. Se não houvesse tido esse acidente, quem e como iria ser aquele menino quando adulto? Com quem teria se casado? Se casado quem seriam os seus filhos se ele não tivesse morrido?

 

Sempre em fatos lamentáveis de quando alguém perde a vida existem as especulações confortantes: Deus sabe o que faz... Agora mesmo ele já está ao lado de Deus e etc. Mas, como se sabe, isso em nada minimiza o sofrimento de quem perde seus entes mais queridos. Entretanto, são palavras oportunas que muitas pessoas sempre usam para essas ocasiões.

 

Altino Olympio



Leia outras matérias desta seção
 » Se não fosse os outros...
 » Fluxo de sensibilidade
 » Será que a vida é uma ilusão?
 » A marca da besta
 » Convém não pensar
 » Adeus dia de Finados
 » Conversa ocasional
 » Por que viemos ao mundo?
 » O passado convive com o presente
 » Os traídos e os traidores
 » Os exagerados do Youtube
 » Os que não sabem são os que mais sabem
 » Brasil, fonte do saber
 » Seres humanos que muito irritam
 » A Torre de Babel brasileira
 » Pegando pesado
 » Pensamentos lúcidos
 » O diálogo entre um Ateu e um Espírita
 » O gostar de alguém sem o alguém saber
 » Má temática da vida

Voltar