15/05/2019
Sepultados no mar

Deixando de lado as informações sobre este nosso país que foram tragédias administrativas, lembrei-me de uma muito triste que é ignorada por muitos.

Quando se pergunta qual foi à maior tragédia marítima que existiu, de imediato alguém responde que foi a do Transatlântico Titanic. Claro, o filme “Titanic” que para a sua produção arrecadou mais de dois bilhões de dólares foi assistido por milhões de pessoas. Ele foi projetado para ser o navio mais luxuoso e mais seguro de sua época e até foi tido como “inafundável”. Entretanto, em sua viajem inaugural, pouco antes da meia-noite do dia 14 de abril de 1912 ele colidiu com um enorme iceberg e já na madrugada ele afundou com mais de 1500 pessoas a bordo. Apenas cerca de 700 sobreviveram para contar suas histórias sobre o ocorrido.

 

O Titanic não foi à maior tragédia marítima. A maior foi a do transatlântico alemão “Wilhelm Gustloff” que não foi tanto divulgado e nem foi filmado como foi o fim do Titanic. Em 30 de janeiro de 1945 com milhares de pessoas a bordo ele foi torpedeado no Mar Báltico por um submarino russo. Segundo pesquisas havia na grande embarcação cerca de 10.500 pessoas. Apenas 964 delas foram resgatadas. Das vítimas “imediatas” cerca de 4.000 eram crianças e adolescentes, além de muitos soldados feridos e refugiados de guerra. Foi difícil estabelecer o número exato de mortos, mas, estimou-se que morreram entre 8.500 e 9.600 pessoas. Será que com tanta matança que existiu e continuam a existir nestes tempos atuais, os homens, de verdade, como dizem, são mesmo filhos de Deus?

 

Teria o comandante do submarino russo Alexander Marinesko (1913-1963) sentido algum remorso por ter sido o responsável pela morte de milhares de pessoas, inclusive milhares de crianças? Nos quatro torpedos que foram lançados contra o Wilhelm Gustloff estavam escrito neles “para a pátria, para Stalin, para o povo soviético e para Leningrado”. O torpedo dedicado ao Stalin perdeu o rumo, mas, os outros três acertaram o alvo. Naquele dia de seu afundamento, vindo do Porto Gotenhafen de uma cidade portuária da Polônia, o Wilhem Gustloff transportava, em sua maioria, civis que fugiam do exército vermelho dos russos.

 

Naquela época do afundamento do transatlântico alemão ouve elogios e acusações de crime de guerra. Os defensores do comandante do submarino sustentaram que a grande embarcação estava armada e não estava corretamente identificada como navio-hospital além de transportar mais de 1000 militares. De fato, com o início da segunda guerra mundial em 1939 a Alemanha havia transformado o transatlântico em navio-hospital. Depois do afundamento dele, em dez de fevereiro o submarino de Alexander Marinesko afundou outro navio alemão, o Steuben que desta vez transportava cerca de 4270 pessoas, em sua maioria eram militares feridos.

 

Em tempo de paz se alguém mata alguém isso é crime e o assassino vai pra cadeia. Na guerra mão! Pode-se matar à vontade que ninguém será preso e quem mais mata até é homenageado e é considerado como sendo herói (mas que mundo de loucos). O comandante do submarino russo Alexander Marinesko foi muito condecorado, inclusive postumamente em 1990 como sendo herói da União Soviética.

 

Se castigo existe qual teria sido o do Alexander Marinesko? Quais teriam sido os castigos para o alemão Adolf Hitler, para o russo Josef Stalin, para o chinês Mao Tsé-Iung e para outros que, somados os seus crimes, eles foram responsáveis por mais de cem milhões de mortes? Será que de verdade existe em algum lugar “um lugar que impõe castigos” para os seres humanos que cometem crimes? A ciência humana ainda não comprovou, embora, na “imaginação popular” tal lugar existe e só não se sabe onde.

 

Altino Olimpio.



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