16/10/2017
As inseparáveis

Quando a conheci ela estava em idade escolar, na mesma classe que minha filha mais velha, estudavam num colégio de freiras tradicional em nossa cidade.

A primeira impressão que tive, foi que elas eram opostas, já que extrovertida, falante, aliás como uma verdadeira filha de italiano, fazia jus à sua descendência e minha filha, tímida, introspectiva mas muito sensível.

Uma completava a outra, e para mim é impossível falar de Gi, sem falar de Dani.

Elas ficaram juntas durante todo o período escolar, sendo que as freiras jamais as separavam, pois gostavam de ver aquela amizade.

Uma incentivava a outra, e até mesmo certa disputa pelas melhoras notas as levaram a ser excelentes alunas e se destacarem no colégio.

Mas nem tudo eram flores, porque as duas juntas arrumavam algumas encrencas na escola, e creio eu por questões de imaturidade, causavam certo ciúme em algumas coleguinhas.

Nós os pais delas, chegamos a ser chamados no colégio, por conta das confusões que elas se envolviam e até pela disputa pela nota mais alta, que às vezes fazia com que elas brigassem entre si.

Quando chegaram na adolescência, a coisa ficou ainda mais complicada, pois eram tão inseparáveis que surgiu um boato de que elas poderiam ser homossexuais...

Em vez de elas ficarem bravas com as provocações a esse respeito, elas davam muitas gargalhadas, e faziam com que as demais colegas sempre ficassem na dúvida se eram ou não meninas ‘diferentes’.

Na fase dos 15 anos foi muito bom vê-las nos seus primeiros bailes, aliás, eu não me esqueço jamais que num desses dias, quando Dani estava vestida toda de branco, sentindo-se uma princesa, e Gi, chegou aqui em casa vestida de preto. Pareciam a “Branca de Neve” e a “Malévola”, já que Dani é ruiva e muito branca e a Gi é morena... Opostas em tudo, mas muito divertidas juntas.

Nos primeiros amores, o lado italiano de Gi, falou forte demais, e suas paixões eram avassaladoras daquelas que se jura que é para a vida toda. E quando o fim chegava, cortando o “felizes para sempre”, ela se entregava ao sofrimento, feito uma verdadeira “Dama das Camélias”, e deixando seus pobres pais de cabelos brancos. Eu, na tentativa de ajudá-la, com meu jeito também italiano de ser, geralmente lhe dava umas sacudidas para fazê-la voltar à realidade...

Ah, mas elas se ajudavam, elas se davam conselhos nessas ocasiões e me deixavam a rir sozinha, tamanha era a sabedoria de cada uma para administrar a vida da outra.

Os anos passaram, o dia da formatura chegou com separação de anos de convivência diária, e como não poderia deixar de ser, as duas deram um verdadeiro show na festa de formatura, de tanto que choravam , se abraçavam numa despedida que mais parecia de morte...

Elas sempre foram dramaticamente “dramáticas”!!!

A faculdade, claro, foi a mesma.

O mesmo curso.

Continuaram juntas.

Não casaram no mesmo dia, a vida as levou para longe, mas continuam juntas, apesar da distancia de corpos.

Dani mora em outro país, teve filhos maravilhosos que ela zela com muito amor, tornou se excelente escritora, seus poemas mostram toda a sensibilidade que ficou reprimida por conta de sua timidez.

Gi, hoje herdou a empresa do pai e a dirige também com maestria.

E continuam juntas, se falam diariamente, se aconselham, brigam, mas nunca se separam.

Então, hoje estou aqui para dizer a você Giovanna e a você Daniele: “tenho muito orgulho de vocês”.

Sempre estiveram ao meu lado nos bons e maus momentos.

E agora, nessa fase difícil para mim, foi por causa delas, com o incentivo delas, que arregaço as mangas e “volto à luta”.

Um dia eu as aconselhei, as ensinei, hoje elas me aconselham, me ensinam, não me deixam desistir.

“Obrigada meninas”

“Vamos em Frente”

Selma Esteticista


 


 



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