14/09/2017
Idas e vindas

Sinceramente, nos meus sessenta anos de idade, ainda existem muitas coisas nessa vida que eu não compreendi e nem sei se dará tempo de compreender...

A gente precisa ter sonhos, ter ideais para seguir em frente com o trabalho, com as lutas, com os desencantos.

E eu, que não sou diferente de ninguém, também sonhei...

Passei anos da minha vida imaginando que um dia eu iria para minha casinha no campo, num lugar tranquilo, para acordar de manhã com os sons de passarinhos, com a paisagem verde a emoldurar minha janela e o perfume da terra molhada a me inebriar...

Sonhei, desejei, mentalizei e consegui...

Não foi exatamente da maneira mais poética, não foi no momento que eu imaginei, pelo contrário, foi mais ou menos aos trancos e barrancos... Não tive tempo para pensar, simplesmente fomos mandados para cá.

Hoje eu sei que teve que ser assim, porque se eu tivesse tido tempo para refletir eu não teria vindo da forma que viemos...

Então, procurando sempre o melhor, mesmo dentro do pior, escolhi viver num lugarzinho acolhedor das Minas Gerais.

Posso dizer que é um vilarejo, talvez um pouco maior, querendo e conseguindo progredir aos poucos com a luta de alguns cidadãos que amam sua terra.

Fui acolhida aqui por pessoas do bem... Porque, graças a Deus, elas existem em todos os lugares... É tudo uma questão de sintonia.

Mas devo confessar que sofri muito de saudade de minha terra, minha família, minhas clientes e grandes amizades que lá deixei. Muitas lágrimas foram derramadas em nome desse sentimento.

E finalmente depois de quase três anos que aqui estou, tendo conseguido me adaptar, fazer amigos, me sentir em casa...

Sabem o que a vida me faz?

Está me mandando de volta...

Como é que lidamos com isso? Como devo interpretar? Sinceramente, eu não sei.

Já tenho maturidade e vivencia suficiente para saber que os caminhos que trilhamos nem sempre são compreendidos por nós. Mas me permito esse sentimento de surpresa, ou até de choque.

Na verdade, não consegui “amarrar meu burro na sombra”, como se diz!

Ele descansou, e agora revigorado, está pronto para ir carregar flores ou pedras, pelo tempo que a vida quiser, mas continuando com seu trabalho na seara do bem...

Então, lá vou eu de novo...

De coração aberto para receber o abraço daqueles que deixei, mas com o mesmo sangrando, pelos que aqui deixarei.

Por isso digo...

“Obrigada Cachoeira do Campo, pelo tempo que aqui estive, pelas alegrias que você me deu, pelas verdes matas, pelos mergulhos em suas límpidas e cristalinas águas puras que me ofereceu.”

Para vocês amigas queridas que aqui conquistei... Não será um ‘Adeus’...Um ‘Até breve’ quem sabe, afinal, ‘Amigo’ se leva do lado esquerdo do peito, e eu estou levando vocês.

A vocês queridos de Santos... Só posso dizer, que mais uma vez, estou sendo acolhida e tendo forças para recomeçar, pois as mensagens de boas vindas que já recebi acariciaram forte meu coração.

É isso que tenho para dizer hoje...

Até um dia... “Cachoeira do Campo”.

Até breve... Santos.

Selma Esteticista



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