05/03/2018
Um farmacêutico devotado

Dr.Victor da Silva Teixeira

Não, não tio Vito, dói muito! Não doto Vito, isso eu não gosto, eu não quero! Mãe me ajuda, é ruim, dói muito.

Isto era a reclamação das crianças, além de um berreiros e choros altos clamando por seus pais imediato socorro, sem compreender a urgência  de uma necessária aplicação de penicilina na época, tão eficaz no tratamento de doenças infeciosas que certamente poderiam ceifar suas vidas precocemente.

Não se deixa de mencionar “as crianças adultas” que longe de um atendimento médico pela dificuldade de encontrá-lo, (o tempo é vital no combate a moléstia) confiavam plenamente em suas palavras, seus conhecimentos e os medicamentos  que o farmacêutico, Victor da Silva Teixeira receitava.

Este notável farmacêutico manipulava medicamentos e nem sempre estava a disposição os ingredientes necessários para  a precisa fórmula, o que impunha recorrer a capital do Estado para comprá-los. A rapidez lhe dizia respeito pois tratava-se muitas vezes de incontroláveis dores e possível vida.

Percebi muitas vezes sua paciência inesgotável e desprendimento em aplicações via endovenosas cujos pacientes em muitas oportunidades não tinham iluminação desejada e também por idade avançada, impunha um trabalho estafante a  procura de sua sumida veia. Mas nada lhe tirava o ânimo, seu coração era muito amoroso. Não importava se fosse em seu local de atendimento ou por muitos quilômetros porquanto também administrava medicamentos.

A farmácia de Victor da Silva Teixeira estabelecia-se no local denominado “Coqueiros”,  neste período, meus pais moravam no Bairro Bonsucesso,. A distância nos separavam em torno de doze quilômetros, estradas rudimentares e nem sempre um veículo a disposição – a vida muitas vezes em jogo. Isto quer dizer que dificultava em muito a sistemática aplicação muscular e endovenosa o que proporcionou a meu saudoso pai, ( Richeto Menuchi) os ensinamentos professoral de Victor para o desenleio de que se fazia necessário.

Quando nos mudamos para o Bairro Cerâmica encontrei  a caixa de seringa, agulhas e demais componentes. Ensimesmado pus-me a pensar. Alguém disse “o ser humano nasce bom  a sociedade o estraga”.

Não acho uma rígida verdade, em minhas boas décadas de vida encontrei  boníssimas pessoas e lendo Bertolt Brecht:

“Há aqueles que lutam um dia; e por isso são bons;

Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons;

Há aqueles que lutam muitos anos; e são melhores ainda;

Porém aqueles que lutam toda vida; esses são imprescindíveis.

Estou seguro em afirmar que o farmacêutico Victor da Silva Teixeira se enquadrava como imprescindível.

ANÍZIO MENUCHI

Foto disponível em:

http://www.caieiraspress.com.br/fotos/index.php?id=2

 

Anízio Menuchi - Filho De Caieiras - Auditor Fiscal Aposentado Da Receita Federal do Brasil

 



Leia outras matérias desta seção
 » URMSP – Um passado de gloria
 » Um farmacêutico devotado
 » Weiszflog a dívida irresgatável
 » Bonsucesso do meu nascedouro
 » A represa de minha juventude
 » Linha Férrea Bom Sucesso
 » Menuchi: imigrantes Italianos
 » Candidatos à Diretoria da URMSP
 » Um caieirense antigo
 » Meu Pai, minha referência para vida
 » Brancos e Negros
 » Conjunto Acapulco você já dançou com êles ?
 » Nos tempos do URMSP (Clube União)
 » A casa no Bonsucesso
 » Embrionária competição à Miss São Paulo
 » Momentos marcantes de nossa juventude
 » Momento de Cátedra no Walter Weiszflog
 » Veneração ao Bom Jesus de Pirapora
 » Não perguntem o que a América fará por vocês...
 » Ida a Aparecida sobre um caminhão

Voltar