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A “República” de Caieiras – 2ª parte

A “República” de Caieiras – 2ª parte

--Vera, nós vamos recomeçar agora, pela primeira casa da subida, à esquerda, esta defronte ao Filtro Rein. No teu tempo aqui já tinha este piso de lajotas sextavadas de concreto, que, vem lá da pracinha e segue até a igrejinha. “Perai” Vera, telefone tocando... Pode falar Talico... Ah sim pode colocar no ar. Alô, 431-3141 pode falar...
--Olá tudo bem? Aqui é o Renatão Satrapa. O nome que você esqueceu-se da irmã do Heinz Satrapa é Cristina. Ela está lá nos Estados Unidos. Aqui ela morava na Avenida dos Estudantes e tinha uma agência de turismo. Já que está ai na Vila República, só pra te lembrar, o Roberto, filho do Carlos Bayerlein que é delegado, ele participou do projeto da ronda de helicópteros da Polícia Civil de São Paulo e talvez ainda pilote um dos “pelicanos”. Mais pra cima morou ai um alemão perigoso, o...
--Entendi obrigado pelo telefonema. Depois comento sobre isso.
--Escuta? Que está acontecendo? Como esse rapaz soube que estamos aqui e...
--Surpreeeeeeesa! Surpresa... Estais vendo isto aqui na minha lapela? É um microfone com áudio. Estamos irradiando esta nossa conversa pela Rádio Cultural e Educativa da Cidade de Caieiras, a 96.5 FM. Hoje o Programa “Antiga Caieiras de Nossa Gente” está sendo especial. Você nem desconfiou, não é?
--Você me paga viu? Não desconfiei mesmo.
--Devia ter desconfiado. Não percebeu que às vezes deixo a narrativa dos moradores de lado e mudo de assunto? Esse programa de rádio é muito longo e por isso é preciso “encher lingüiça” para “prender” os ouvintes (risos). Mas, por favor, não se intimide por causa disso e... Xiiiii telefone tocando outra vez. Alô, Rádio 96.5 FM, pode falar.
--Aqui é o Nenê Corradini, né? Já que você e a Vera estão ai pra ver telhados, você viu o da casa do Zeca Monteiro? O nome da esposa parece que é... Pierina Gabrielli. A filha Floriza não pode ficar despercebida porque, ela namorou com o meu irmão, o Gele. Quanto à filha do Satrapa, a irmã do Heinz dentista, ela se chama Cristina. Casada com um professor de inglês, ela mora nos Estados Unidos junto com a filha da Ana Maria, minha cunhada e filha da Alfa de Franco da Rocha, a tua amiga e ouvinte assídua desse programa.
--Nenê Corradini, eu acho que você já está na “melhor idade” viu? A família do Zeca Monteiro... A Floriza... Penso eu, já devem constar na relação de moradores da Rua da Pensão narrada pelo Neno (Oswaldo Correa Miranda) o filho do motorista Odair Miranda. Procura isso na relação contida na coluna “Caieiras Antiga” do Jornal “A semana” do Estanguelão. Se tais nomes foram esquecidos envie um e-mail para a redação do jornal “reclamando” dessa falha. Outra coisa, o nome Pierina Gabrielli, se não me engano era da esposa do Lagarto (Orlando Marquesini) e não da esposa do Zeca Monteiro. Orra meu, ela morava na tua Vila Pereira e você não se lembra? Já tá “faiando” hein? (risos) Obrigado pelo telefonema. Abraços. Viu Vera, enquanto você esteve chupando sorvete o Renato Marchesini também telefonou. Disse-me ele, já que o nosso ponto de partida foi lá na Pracinha da Portaria Um, nós deveríamos nos referir primeiro às casas do Atílio Massimelli, Durval Caramigo... Falei pra ele aguardar, pois, noutra hora iremos discorrer sobre tais casas e as restantes da Rua da Farmácia.
--Puxavida! Esse programa tem audiência, não?
--Ah tem sim. Até aprendi uma coisa. Como os ouvintes enchem o saco. Marlene Sálvio, Jorge Arauz, Antonio Polon, o Pé de Ferro (Florêncio), a Sonia Xaropita de São Vicente, a Jade (Márcia) da Cidade de Salto, o Lincon de Santo André, a Susi (Edna) de Jacareí, e outros. Como falam besteiras e mentiras num programa que é tão sério. Até palavrões eles às vezes falam. Que vergonha. Olha, acho bom eu desligar este telefone senão só sairemos daqui amanhã.
--Boa idéia. Ainda bem que é horário de verão e...
--Tá, tá, tá! Vamos agora recomeçar pra valer. Primeira casa do lado esquerdo. Doutor Cotini e não me pergunte o nome da esposa e filhos porque eu não sei.
--Nossa... Calma nervosinho, eu nem ia perguntar.
--Depois dele aqui veio o Doutor Kossuke, também demais nomes esqueci. Casa de cima era do Henrique Dick, esposa... Bom, ela era irmã do conhecido Santa Fé. Seus filhos: O Endrews (?) às vezes chamado de Verne e a Suzana. Com eles morou também uma moça de nome Tereza, se estou certo. Eles foram embora pra Recife. Esta outra casa... Jorge Siqueira, esposa Ires e o filho único, Milton. Mas agora vamos atravessar a rua porque ali naquela entradinha à direita iremos dar lá na casa do Senhor Kholer, um dos gerentes daqui da Cia. A esposa dele sempre com as maças do rosto bem coradas, até parece que sempre usa “rouge”. Eles têm um casal de filhos, o rapaz ou a mocinha, sempre de cabelo curtinho, pelas ruas eles se revezam para passear com um pastor alemão. Voltemos agora para a subidona da igrejinha outra vez e para as casas do lado esquerdo da rua.
--Vem vindo alguém, será um conhecido nosso?
--Xi nem acredito, é o Sucuri perdido por aqui. Quer apostar que ele ao se aproximar vai me chamar de Jacaré? Acho isso uma falta de respeito. Como diz o Boris Casoy “isso é uma vergonha” (risos).
--Hei Jacaré boa-tarde. Boa-tarde minha senhora, tudo bem?
--Boa-tarde Eduardo Pinto Cunha. Esta senhora é a irmã do Toninho de Pádua. Vera, o Dinho aqui trabalhou na manutenção das casas da indústria. Penetrou em muitas casas daqui e por isso, melhor que eu, ele sabe quem é quem e das casas de quem (risos).
--Nem tanto Jacaré. O tempo vai passando, a memória vai se enfraquecendo, mas, se puder colaborar estou aqui.
--Obrigado Dinho. Então Vera, as esposas dos chefes ao reclamarem que suas torneiras pingavam, o Dinho comparecia para trocar o corinho das esposas dos chefes.
--É verdade sim. Tudo que levava cano era comigo mesmo.
--Então Dinho nos acompanhe neste passeio e assim você vai narrando as casas e os nomes das pessoas daqui.
--Pois não! Não tenho mais nada pra fazer, mesmo.
--É Vera, o Dinho caiu do céu. Mais lá pra cima eu ia ter dificuldade de me lembrar dos moradores.
--Foi bom termos encontrado um conhecido aqui.
--Então vamos prosseguir... Viu, vocês já pensaram que sacrifício era as pessoas subirem essa subida para a missa aos domingos? Mas não era sacrifício para aquele casal que vinha namorar atrás da igreja e no escuro (risos). Ah deixemos isso pra lá. Às vezes esqueço que nossa conversa está sendo irradiada pela 96.5 FM de Caieiras. Mas que calor, não? Ai que sede... Onde é a bica mesmo?

                                                                                                  Altino Olympio

 


 



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