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Ilha das Cobras - Parte 2

Uns cinqüenta metros depois de se ter passado pela Ilha das Cobras, também à direita e com o rio à esquerda, outro barranco se elevava da rua, cuja altura não se via, pois, era impedida pela mata com suas árvores da encosta daquela montanha. Aquele barranco, também mal assombrado e mais temido que o primeiro, era chamado de “o barranco da volta fria” porque naquele trecho da rua, o ambiente era úmido e se via água vertendo de alguns lugares do barranco. Depois dele, digamos uns cento e cinqüenta metros, já era o início da Vila Leão. Voltando à Ilha das Cobras e olhando-a de frente se estando na rua que temos descrito, à nossas costas por sobre um pequeno barranco, estava o pequeno pomar do Sr. Timóteo, que de lá sempre nos expulsava quando éramos garotos. Tinha ciúmes daquele pomar de ameixas e goiabas bichadas que só serviam para os passarinhos. Do lado do pomar, saindo da vila, um caminho estreito prosseguia até o alto de um morro e o mesmo caminho fazia a divisa das roças ou plantações que, à esquerda eram do Sr. Timóteo e a direita, do Sr. Luiz Molinari, não sendo este, morador da Ilha das Cobras. O alto do morro era conhecido como “o morro do Timóteo” ou morro de “impiná” papagaio. Lá de cima, os garotos mandavam para o céu, seus papagaios por eles mesmos construídos. De um daqueles tempos lembramos agora do Pancho (Alcir Mancz) que dava muitos carretéis de linha para seu papagaio (pipa) até fazê-lo quase sumir de vista para depois partir a linha e deixá-lo a mercê do vento para deixá-lo cair onde e como quisesse. Quando perguntavam seu nome, respondendo mais com xis e esses ele dizia: Meu nome é Alxir Manxss.

 

Como era a Vila Ilha das Cobras? A partir daquele primeiro barranco “mal assombrado”, o rio iniciava uma longa curva à direita para terminá-la no outro barranco, aquele da “volta fria” mais assombrado. Do percurso em curva do rio, tendo cercas como divisas, elas, se estendendo até os fundos das casas de seus moradores, dividiam seus terrenos ou quintais. Alguns mantinham seus pequenos barcos para passeios, travessias ou para pescarem. Pela frente das casas, suas fachadas impediam a visão do rio e as mesmas não tinham recuo como aqueles que vemos nas casas cujas ruas passam em frente, porque, suas fachadas eram de frente para um plano e o ladear delas por ele, faziam dele uma pequena praça, embora como pracinha nunca tenha sido lembrada. No centro daquele largo provocado pelas casas ao derredor, havia um poço com uma bomba manual, com movimento sobe e desce de uma alavanca, para retirar água para os habitantes dali. Isso, antes da vinda da água encanada. Sem paredes, quatro pilares de cimento suportavam o telhado de telhas por sobre a bomba. Dois dos pilares serviam às vezes como traves para serem o gol de um dos lados do campinho de futebol improvisado no meio da Ilha das Cobras. O outro gol ficava onde detrás dele ficava a rua que passava ao lado da vila, naquele lugar que a margem da rua era o barranco tendo sobre ele o “pomar” do Timóteo.

Ufa! Essa descrição desnorteia a gente. Vamos precisar de um nativo da vila para colaborar com o restante. Porém, antes, para facilitá-lo vamos imaginar a Ilha das Cobras como tendo o formato de uma ferradura, mas, quadrada. Ficaremos na rua entre as “duas hastes da ferradura”, olhando de frente para a vila. Temos casas sendo a haste esquerda e outras sendo da haste da direita. No fundo por detrás do abrigo da bomba do poço, temos casas no alinhamento que se prolongando de uma haste à outra, fecham a ferradura.


Altino Olimpio

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